publicidade
Economia

Varejo pede regulamentação de publicidade de bets e fim do uso do cartão de crédito em apostas

O manifesto afirma que há, inclusive, uso de recursos dos programas sociais, como o Bolsa Família, para realizar apostas on-line

Diferentemente dos bingos e dos cassinos, as apostas online contam com regulamentação ativa no Brasil | Foto: Joédsom Alves/Agência Brasil. bet; bets
O Bolsa Família atende atualmente cerca de 19,2 milhões de famílias no país | Foto: Joédsom Alves/Agência Brasil

Cerca de 20 entidades nacionais de comércio, indústria, consumo e varejo divulgaram um manifesto sobre o crescimento das apostas eletrônicas e consequências sociais, econômicas e de saúde pública apontadas por esses setores. As entidades signatárias dizem que passarão a atuar de forma conjunta para promover regulamentação à comunicação publicitária e patrocínios, bem como impedir de forma imediata o uso do cartão de crédito para pagamento das apostas esportivas, as chamadas bets, o que só ocorreria em 2025 pela legislação aprovada.

O documento afirma que há um aumento exponencial do faturamento dessas apostas, que, para os setores representados no texto, tem atraído recursos da população, especialmente das classes mais baixas, o que geraria comportamento compulsivo. O manifesto afirma que há, inclusive, uso de recursos dos programas sociais, como o Bolsa Família, com redução do consumo, inclusive, de alimentos.

Receba nossas atualizações

Os signatários querem ainda impor responsabilidade às empresas responsáveis pelas bets para que se tornem corresponsáveis por tratamentos envolvendo saúde mental causados pelo vício com jogos nessas modalidades, bem como rever a tributação prevista na lei 14.790/2023, de modo que ela seja maior na operação de apostas on-line, tanto para a empresa de apostas, quanto para o apostador.

+ Leia mais notícias de Economia em Oeste

O manifesto é divulgado ao fim do Latam Retail Show, evento organizado pela consultoria Gouvêa Ecosystem. Um estudo da Mosaiclab divulgado no primeiro dia do evento, porém, mostrou que as empresas de apostas virtuais não são a única razão para frear o consumo no país. Para 63% dos brasileiros, os gastos com alimentação são os mais pesados em seu orçamento, seguidos por energia elétrica (50%), água (34%) e impostos (34%). Os gastos com jogos e bets aparecem, sim, na lista, com 9% dos pesquisados apontando esse fator como pressão de renda.

Pesquisa encomendada pelo varejo sobre as bets

Imagem mostra um homem interagindo, via tablet, com uma plataforma de apostas on-line, as chamadas bets
A sócia-diretora da Mosaiclab, Karen Cavalcanti, explica que há uma teia de mudanças nos hábitos dos consumidores | Foto: Reprodução/Freepik

Segundo a pesquisa, os gastos com bets e outros tipos de apostas on-line aparecem impactando todos os perfis com uma ênfase maior na classe A, que tem maior renda disponível para gastos extras além do consumo básico. A sócia-diretora da Mosaiclab, Karen Cavalcanti, explica que há uma teia de mudanças nos hábitos dos consumidores. Dessa forma, apesar do crescimento das apostas, para as classes mais baixas, a inflação de alimentos ainda é o mais pesado — para 55% dos pesquisados das classes D e E, enquanto 9% indicam as apostas.

Assinam o documento as seguintes entidades:

  1. Associação Brasileira de Franchising (ABF);
  2. Associação Brasileira da Indústria de Equipamentos e Serviços para o Varejo (Abiesv);
  3. Associação Brasileira das Indústrias Ópticas (Abióptica);
  4. Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit);
  5. Associação Brasileira de Marcas Próprias e Terceirização (Abmapro);
  6. Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel);
  7. Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex);
  8. Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (Abevd);
  9. Associação Brasileira de Tecnologia para o Comércio e Serviços (Afrac);
  10. Associação Nacional de Restaurantes (ANR);
  11. Associação Brasileira de Strip Malls (Abmalls);
  12. Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB);
  13. Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL);
  14. Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV); e
  15. Instituto Foodservice Brasil (IFB).

Leia também: “Por que só as bets podem?”, reportagem de Amanda Sampaio e Anderson Scardoelli publicada na Edição da Revista Oeste


Revista Oeste, com informações da Agência Estado

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade