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Economia

Controlador da Tok&Stok pede recuperação judicial

Grupo Toky atribui decisão a juros elevados, queda no consumo e restrições de crédito; processo tramita sob segredo de Justiça

Mobly adquire a Tok&Stok
Tok&Stok já havia passado por recuperação extrajudicial | Foto: Reprodução/site Tok&Stok

O Grupo Toky, controlador das varejistas Tok&Stok e Mobly, informou nesta terça-feira, 12, que entrou com pedido de recuperação judicial na Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo. A decisão foi autorizada pelo conselho de administração da companhia em reunião realizada no último domingo, 11.

Em comunicado ao mercado, a empresa afirma que o pedido foi apresentado “em caráter de urgência” e inclui também as subsidiárias do grupo. A companhia declarou que a medida busca “preservar suas atividades, proteger sua liquidez e permitir a implementação de uma reestruturação ordenada de seu endividamento e de sua estrutura de capital”.

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Segundo a administração, o cenário macroeconômico adverso afetou diretamente o desempenho da rede varejista. A companhia citou “taxas de juros ainda elevadas”, “maior nível de endividamento das famílias” e “condições de crédito mais restritivas”, fatores que, de acordo com o grupo, reduziram a confiança do consumidor e levaram ao adiamento de compras.

Fachada da Mobly
Grupo Toky é dono da Mobly e da Tok&Stok | Foto: Reprodução

A empresa também reconheceu dificuldades operacionais ligadas ao abastecimento de produtos. “As restrições temporárias nos níveis de estoque vêm causando um impacto significativo na liquidez de curto prazo”, informou o comunicado.

Endividamento da Tok&Stok não parou de crescer

O grupo declarou ainda que vinha negociando uma reestruturação de dívidas com credores da Tok&Stok, mas admitiu que “o alto endividamento do grupo persiste e vem se agravando”. Diante desse quadro, a administração considerou necessária a adoção de medidas para garantir a continuidade das operações.

De acordo com a companhia, o objetivo da recuperação judicial é “viabilizar a continuidade de suas atividades, preservar os serviços por elas prestados, preservar seu valor e sua função social”, além de criar condições para renegociar obrigações financeiras com credores, trabalhadores e acionistas.

Para Max Mustrangi, CEO da Excellance, a deterioração da situação financeira foi agravada por conflitos internos na condução da empresa.

“Os gestores do Grupo Toky focaram e priorizaram disputas societárias em vez de focar a reversão dos resultados financeiros e a geração de caixa operacional de forma a poder honrar com acordos de pagamento da dívida, que se acumulou e chegou a mais de R$ 1 bilhão, um grave erro de prioridades invertidas e disputa de poder”, afirmou.

Mustrangi avalia que o pedido de recuperação judicial amplia a possibilidade de mudanças estruturais na companhia. “Com a entrada de fato em recuperação judicial, a possibilidade de futura mudança de controle, o famoso ‘sob nova administração’, forte destruição de valor e dano relevante à marca é elevadíssima.”

Mecanismo visa a evitar que a empresa em dificuldades quebre | Foto: Reprodução/Pixabay Empresários brasileiros estão angustiados
Recuperação judicial visa a evitar que a empresa em dificuldades quebre | Foto: Reprodução/Pixabay

O executivo também alertou para o risco operacional enfrentado pela varejista diante do atual ambiente econômico. Para ele, o Grupo Toky “também deveria se preocupar urgentemente com o risco de descontinuidade do negócio dentro do atual cenário econômico, em que o seu público consumidor se encontra altamente endividado e inadimplente”.

De acordo com a companhia, o objetivo da recuperação judicial é “viabilizar a continuidade de suas atividades, preservar os serviços por elas prestados, preservar seu valor e sua função social”, além de criar condições para renegociar obrigações financeiras com credores, trabalhadores e acionistas.

O pedido tramita sob segredo de Justiça. A empresa informou que a recuperação judicial ainda precisará ser ratificada em assembleia-geral extraordinária, cuja convocação já foi aprovada pelo conselho de administração.

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