publicidade
Economia

Títulos públicos de Lula repetem nível crítico do governo Dilma

A persistência de taxas altas revela a dificuldade do Planalto em conter os gastos e reconquistar a confiança do mercado

Lula
Economistas alertam que, mesmo com o novo arcabouço fiscal, o Brasil ainda levaria mais de uma década para estabilizar sua dívida | Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

A taxa real dos papéis do Tesouro Nacional com vencimento em dez anos ultrapassa 7% desde o início de dezembro. Esse patamar, considerado elevado, não era registrado de forma contínua desde o auge das crises do segundo governo da presidente Dilma Rousseff, em 2015 e 2016.

O quadro atual reflete a apreensão dos investidores com a trajetória fiscal do país. Na prática, esse número revela que o governo tem enfrentado forte resistência do mercado para estender sua dívida de longo prazo.

Receba nossas atualizações

Quando o custo para financiar os gastos públicos se eleva, aumentam também a percepção de risco e a expectativa de desequilíbrio nas contas.

+ Leia mais notícias de Economia em Oeste

Os títulos que pagam juros acima da inflação, como o Tesouro IPCA, com vencimento em 2032, passaram de 5,45% no início de 2023 para 7,84% no começo deste mês. Já o papel com vencimento em 2035 atingiu 7,57%.

Economistas ressaltam que, mesmo com o novo arcabouço fiscal, o Brasil ainda levaria mais de uma década para estabilizar sua dívida — e isso em um cenário otimista, sem déficits adicionais.

Jeferson Bittencourt, ex-secretário do Tesouro, afirma que o mercado já não lida mais com incertezas. Entretanto, opera com a certeza de que a política atual não deve reduzir o endividamento.

Segundo Bittencourt, o plano fiscal do governo pode gerar, no máximo, um superávit de 0,2% ao ano. Isso representa um quadro insuficiente para reverter a trajetória da dívida, que hoje gira em torno de 76% do PIB. A comparação com os Estados Unidos também pesa.

Enquanto a diferença de taxas era de 7 pontos porcentuais na crise de Dilma, hoje gira em torno de 5,5. No entanto, a projeção é que o juro elevado perdure ainda mais.

Foco eleitoral ameaça ajuste dos títulos públicos

Além disso, outro agravante veio de fora. Com a política de tarifas adotada durante o governo do presidente Donald Trump, dos EUA, as tensões globais afetaram os mercados emergentes. No Brasil, até os papéis de curto prazo, como o Tesouro IPCA 2026, viram suas taxas dispararem, atingindo 9,51%.

As declarações recentes de membros do mercado financeiro apontam para uma mudança de rumo da equipe econômica do governo. A expectativa por um plano de corte de gastos foi frustrada. Em vez disso, medidas como ampliação de crédito e isenção de impostos dominam o debate.

+ Leia também: “Banco Mundial divulga lista de países com maiores reservas em dólar”

Na avaliação de Julio Ortiz, CEO da Cx3 Investimentos, o atual crescimento econômico — puxado pelo consumo e sem ganho de produtividade — não indica uma retomada sólida. Para ele, o governo já demonstrou que prioriza as eleições de 2026, e não a recuperação fiscal.

Enquanto o ajuste não ganha prioridade, o custo da dívida sobe e compromete o espaço fiscal para investimentos futuros. Nesse sentido, analistas reforçam que, sem uma sinalização firme de mudança, a tendência é de deterioração contínua da confiança e de um ambiente menos favorável para o setor privado.

“Até 2027, não vai ter mudança importante nenhuma”, disse Ortiz. “O Brasil está crescendo em torno de 2% a 3%, mas da pior maneira possível, que é via consumo, sem aumentar o investimento e o ganho de produtividade.”

1 comentário
  1. Christian
    Christian

    O que esperar de um ministro de economia que estudou apenas 2 meses de economia e ainda colou na prova.

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.