O interesse por títulos públicos aumentou expressivamente nos últimos meses, impulsionado pelo retorno elevado de investimentos conservadores. Entre janeiro e outubro, 240 mil pessoas passaram a investir no Tesouro Direto, totalizando 3,2 milhões de investidores e um saldo de R$ 200 bilhões, o que representa alta de 36% em doze meses.
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No atual cenário, o Tesouro Selic, considerado o título mais seguro, oferece resgate imediato e vem remunerando acima de 15% ao ano. Essa rentabilidade está vinculada à Selic, que se encontra no maior patamar das últimas duas décadas. Títulos atrelados à inflação, como o Tesouro IPCA+ 2029, oferecem IPCA mais 7,81% ao ano, enquanto os prefixados garantem pelo menos 13% ao ano.
Ganho com marcação a mercado e perfil dos investidores de títulos públicos
Quem opta pela venda antecipada desses papéis no mercado secundário tem obtido ganhos de até 22% ao ano, resultado da valorização dos títulos diante das expectativas econômicas. A chamada marcação a mercado reflete as oscilações diárias dos preços, influenciadas pelo cenário macroeconômico e projeções para os juros futuros.
Esse ambiente favorável à renda fixa atrai tanto investidores individuais quanto institucionais. Segundo Maria Luisa Paolantoni, analista da Nord Investimentos, “Tesouro aproveitou a forte demanda existente, inclusive com diversos fundos realizando alocações em Tesouro IPCA+, reforçando o colchão de liquidez e alongando o perfil da dívida”, disse ao jornal O Estado de S. Paulo.
O aumento da procura também se deve à cautela quanto ao crédito privado, especialmente depois de episódios como a liquidação do Banco Master e processos de recuperação judicial de empresas. Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, explicou ao Estado de S. Paulo que “ruídos como a liquidação do Banco Master, bem como casos de recuperação judicial em emissores corporativos, reforçam que a liquidez e a segurança trazidos pelo Tesouro Direto são fundamentais na composição de um portfólio robusto”.
Economia e perspectivas para a Selic
Para 2026, a previsão é de que a taxa Selic sofra cortes, o que deve reduzir a rentabilidade dos títulos. Porém, o Tesouro Direto tende a seguir competitivo, com retornos acima de 10% ao ano. O Boletim Focus do Banco Central projeta a Selic em 12,13% ao final do próximo ano, ainda em patamar elevado.
Especialistas recomendam que títulos IPCA+ continuem sendo opção relevante para quem busca ganhos acima da inflação no longo prazo. O Tesouro Selic, responsável por quase metade das vendas atuais, deve se manter importante nas carteiras.
Lucas Constantino, estrategista-chefe da GCB Investimentos, também destaca a combinação entre Tesouro Selic e IPCA+ como estratégia para enfrentar um cenário volátil, especialmente por conta das eleições de 2026. “Mesmo com a expectativa de cortes na Selic ao longo de 2026, os pós-fixados [Tesouro Selic] continuam importantes, especialmente para carteiras conservadoras”, destacou. “A combinação de segurança, liquidez e carrego ainda elevado segue atrativa em um ambiente doméstico e internacional incerto.”
Constantino ainda recomenda títulos IPCA+ com vencimento intermediário, entre quatro e dez anos.
Riscos para 2026 e cuidados na montagem de portfólio
A perspectiva para 2026 é de maior instabilidade, o que reduz o apelo de títulos prefixados e IPCA+ de longo prazo. Diante dessa volatilidade, investidores que pretendem negociar títulos antes do vencimento devem redobrar a atenção, pois os preços dependem das expectativas futuras sobre os juros, e não apenas dos cortes na Selic.
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