O Banco de Brasília (BRB) iniciou a venda de carteiras de crédito com garantia da União. O movimento recebeu aval do Tesouro Nacional e busca reforçar a liquidez da instituição, que enfrenta uma crise desde a liquidação do Banco Master. As carteiras somam cerca de R$ 970 milhões.
Os empréstimos vendidos contam com garantia da União, por isso o Tesouro precisou autorizar formalmente a transferência dessa cobertura aos novos credores. A operação, no entanto, não representa um novo empréstimo com aval federal, nem envolve injeção de recursos por parte do governo.
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Integrantes do governo ouvidos pelo jornal Folha de S.Paulo, que revelou as informações, afirmam que não há negociação em curso para concessão de aval a um novo empréstimo ao Distrito Federal. Segundo eles, a nota “C” do Tesouro — chamada Capag — impede operações com garantia federal. Um eventual pedido de dispensa dessa exigência, conhecido como waiver, ainda não foi feito.
A recusa em assumir esse tipo de compromisso financeiro tem peso político. O governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), faz oposição aberta ao governo Lula. Para interlocutores do Planalto, seria constrangedor para Rocha recorrer ao Tesouro em busca de socorro.
Sem aval federal, o governo do DF teria dificuldade para captar recursos no mercado e cumprir a exigência do Banco Central (BC) de aumento de capital no BRB. Técnicos revelam que a saúde financeira do DF é frágil: falta superávit e sobra obrigação.
BC cobra provisões e exige plano de capitalização
Ao lado das dificuldades fiscais, o BRB enfrenta um passivo bilionário gerado por carteiras de crédito vendidas pelo Master. Os papéis, avaliados em R$ 12,2 bilhões, continham ativos de baixa qualidade e falsificação. Parte chegou a ser substituída, mas o novo lote também foi considerado frágil.
A autarquia monetária já exigiu que o BRB registre provisões em seu balanço para cobrir os prejuízos. Na sexta-feira 6, a instituição entregou ao BC um plano com quatro alternativas para capitalização. Uma delas inclui a venda das carteiras compradas do Master.
O mercado, no entanto, avalia que esses papéis valem menos do que o registrado no balanço. Isso pode obrigar o BRB a contabilizar perdas se vender abaixo do valor contábil. Por esse motivo, o banco conduz a operação com cautela. Segundo números internos, o BRB comprou R$ 21,9 bilhões em ativos originados pelo Master.
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O banco já alienou R$ 5 bilhões em ativos de boa qualidade para reforçar o caixa. Também vendeu carteiras de crédito que ele mesmo originou.
Apesar disso, precisa continuar vendendo. Fontes do setor afirmam que o BC, de modo informal, pediu que grandes instituições, as chamadas S1, colaborem com a compra de parte das carteiras do BRB, para evitar colapso de liquidez.





































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