O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas na análise feita pelo governo federal para autorizar a garantia da União em um empréstimo de R$ 12 bilhões contratado pelos Correios no fim do ano passado.
Segundo relatório técnico da Corte, o aval do Tesouro Nacional não foi precedido por avaliações consideradas “suficientes, independentes e tempestivas” sobre a situação financeira da estatal.
Receba nossas atualizações
Os Correios atravessam uma crise financeira. Em 2025, a empresa registrou prejuízo de R$ 8,5 bilhões e acumulou 14 trimestres consecutivos de resultados negativos. O rombo superou em mais de três vezes o déficit de 2024, quando a estatal fechou o ano com perdas de R$ 2,6 bilhões.

Auditoria questiona capacidade de pagamento
Os auditores afirmam que o governo não realizou análises robustas sobre fluxo de caixa, projeções financeiras e capacidade real de pagamento da empresa.
Para o TCU, isso ampliou o risco assumido pela União ao conceder a garantia do empréstimo. O relatório também sustenta que os sinais de deterioração financeira dos Correios já eram públicos e exigiam resposta mais rápida da administração federal.
Segundo os técnicos, a demora reduziu alternativas de recuperação e aumentou a necessidade de medidas emergenciais.
A auditoria afirma ainda que a condução do caso contrariou princípios previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal, ligados à prevenção de riscos fiscais e transparência da gestão pública.
Crise elevou custo do crédito da estatal
O TCU também identificou fragilidades no plano de reestruturação apresentado pelos Correios.
Segundo os auditores, o Ministério das Comunicações realizou análise considerada insuficiente sobre a viabilidade econômica das medidas. O relatório afirma que não houve validação independente das projeções de receitas, despesas e fluxo de caixa da estatal.
Entre os exemplos citados pela auditoria está um empréstimo de R$ 1,8 bilhão contratado em junho de 2025 junto a bancos privados.
A taxa de juros da operação subiu de 21,99% para 25,67% ao ano depois do descumprimento de cláusulas financeiras previstas no contrato. Para os técnicos do TCU, a ausência de medidas mais rápidas agravou a crise financeira da estatal e ampliou a exposição do Tesouro ao risco fiscal.
+ Leia mais notícias de Economia em Oeste






































Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.