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Economia

Mario Sabino: ‘A reforma tributária e a forma simples de escorchar o pagador de impostos’

Quais serão as alíquotas sobre o consumo? Deixe de ser estraga-prazeres, ficou para uma lei complementar

Reforma tributária
Com a reforma tributária, ganham os políticos que 'lutam' pelo bem-estar geral da nação | Foto: Ilustração/Shutterstock

A euforia tomou conta de Brasília, dos industriais, do mercado, do jornalismo econômico e do seu Zé e da dona Maria: a reforma tributária, finalmente aprovada pela Câmara nesta quinta-feira, colocou fim ao sebastianismo que nos impedia de ombrear com as nações civilizadas. Foi um DIA HISTÓRICO, para repetir o grito guardado no peito dos especialistas na área tributária e dos contadores libertados do jugo diário.

Viramos um país moderno de anteontem para hoje, porque o governo poderá escorchar o pagador de impostos de modo mais simples e eficiente, e ficaremos todos mais felizes porque perderemos menos tempo para ser escorchados pelo governo. Além disso, acabou, acabou (ouça na versão Galvão Bueno) a guerra fiscal entre os Estados. Quais serão as alíquotas sobre o consumo? Deixe de ser estraga-prazeres, ficou para uma lei complementar.

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A reforma tributária foi barata, custou apenas R$ 7,5 bilhões em emendas, dos quais R$ 5,3 bilhões foram liberados horas antes da votação — e que poderão ser gastos sem nenhuma transparência, esse conceito que só embaça. Se você for contar para um gringo, converta o total para US$ 1,5 bilhão e diga que o pagamento dessa ninharia é uma genialidade da articulação política do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e do presidente da Câmara, Arthur Lira.

Haddad Lira
Haddad e Lira, lado a lado | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Foi uma tremenda conquista. Teremos mais dois fundos, imagine você. Fundos de respeito: o primeiro é o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional, para compensar o fim dos subsídios fiscais a Estados e municípios — e para os patriotas de sempre meterem a mão cívica. A União (você) começará aportando R$ 8 bilhões em 2029. É somente meio bilhão a mais do que custou a reforma tributária em emendas, mas essa bufunfa poderá chegar a R$ 40 bilhões em 2032. Tudo fora do teto de gastos, aquele da casa muito engraçada, que não tinha teto, não tinha nada.

Quer mais? | “Ouça o boletim de Alexandre Garcia sobre a reforma tributária”

O segundo fundo, oba, é o Fundo de Compensação de Benefícios Fiscais, também para compensar perdas com o fim do ICMS e do ISS, que serão substituídos pelo imposto sobre bens e serviços. Entre 2025 e 2032, serão aportados R$ 160 bilhões. Um conselho federativo é que vai decidir o destino desse rachuncho. Now we’re talking business.

É um ganha-ganha. Ganham os políticos que lutam pelo bem-estar geral da nação e ganham os repórteres investigativos, que passarão a contar com mais duas frentes promissoras de apuração, porque qualquer fundo, no Brasil, traz consigo o escândalo do fundo. Foi mesmo um DIA HISTÓRICO.

Leia também: “Reforma tributária é projeto de centralização de poder do PT, diz Marcos Cintra”

5 comentários
  1. Ligia Maria De Bastiani
    Ligia Maria De Bastiani

    Torno a perguntar: por que é tão difícil encontrar o Mário Sabino na Revista Oeste???

  2. Christian
    Christian

    Vários jornalistas sabem que falar mal dá mais ibope do que falar bem.
    Mas esta postura de camaleão não me convence…
    Dias a Leste e outros a Oeste…

  3. Inácio Kohler
    Inácio Kohler

    Apesar de agora, depois da eleição do Lula, a turma do Antagonista estar tentando demonstrar preocupação com o Brasil, infelizmente para o mesmo Brasil, fizeram de tudo para Bolsonaro não se reeleger. O que vocês querem que eu pense desse comportamento?

  4. João José Augusto Mendes
    João José Augusto Mendes

    E isso tudo graças a um ministro da economia que passou no curso de economia colando tudo como dantes na terra de abrantes.

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