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Economia

Racha no Copom: veja argumentos de dirigentes do BC que queriam corte maior nos juros

Em decisão dividida, colegiado colocou pé no freio e reduziu Selic em 0,25 ponto porcentual, para 10,5% ao ano

Dados da dívida pública foram divulgados pelo Banco Central | Foto: Marcelo Casal Jr/ Agência Brasil
Dados da dívida pública foram divulgados pelo Banco Central | Foto: Marcelo Casal Jr/ Agência Brasil

O descumprimento das sinalizações previamente acordadas sobre os cortes na taxa de juros foi o motivo do “racha” entre os membros do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) na última reunião. É o que mostra a ata, publicada nesta terça-feira, 14.

Na semana passada, o colegiado entrou em uma espécie de “cabo de guerra” para decidir a nova Selic, que ficou definida em 10,5% ao ano. O voto de minerva foi do chefe da autoridade monetária, Roberto Campos Neto.

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Curiosamente ou não, os quatro diretores indicados pelo presidente Lula (PT) votaram por um corte de 0,5 ponto porcentual (p.p.) nos juros, enquanto os demais cinco membros herdados do governo Bolsonaro preferiram por o pé no freio, com redução de 0,25 p.p.

A ata da reunião do Copom revela que os dirigentes indicados por Lula falaram em um “custo reputacional” com a mudança de estratégia firmada no encontro de março, que previa uma nova redução de 0,5 p.p.

“Tais membros discutiram se o cenário prospectivo divergiu significativamente do que era esperado a ponto de valer o custo reputacional de não seguir o guidance [orientação, em tradução livre], o que poderia levar a uma redução do poder das comunicações formais do comitê”, disse o comunicado.

Com isso, parte do colegiado pareceu discordar da postura de Campos Neto, que abandonou o guidance durante um evento em Nova York, onde fez um discurso mais “duro”. Na ocasião, o recado da redução no ritmo de cortes ficou muito claro para o mercado.

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Para a minoria, a autoridade monetária deveria seguir o plano de reduzir os juros em 0,5 p.p. e reafirmar o compromisso do BC em perseguir a meta de inflação, de 3%.

Do outro lado, porém, Campos Neto e os outros membros do colegiado acreditam que o risco da perda de credibilidade é muito mais importante no combate à inflação do que deixar de seguir o guidance.

“Tais membros ressaltaram que muito mais importante do que o eventual custo reputacional de não seguir um guidance, mesmo que condicional, é o risco de perda de credibilidade sobre o compromisso com o combate à inflação e com a ancoragem das expectativas”, diz a ata.

Piora no cenário da inflação é unanimidade no Copom

Apesar das divergências em relação à Selic, a piora no cenário da inflação é unanimidade entre os membros do Copom. Por isso, o colegiado avalia que é necessário uma política monetária “mais contracionista, mais cautelosa, e sem indicações sobre os próximos passos”.

“Todos os membros concordaram que a adoção de uma política monetária mais contracionista, mais cautelosa e sem indicações futuras sobre os próximos movimentos mostrava-se mais apropriada diante do cenário global incerto e do cenário doméstico marcado por resiliência na atividade e expectativas desancoradas”, diz a ata.

Os nove membros concordam ainda que é preciso “ancorar” as expectativas — o que significaria levar as projeções a meta de 3% nos anos seguintes.

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