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Economia

Presidente interino da CVM, sobre escândalo do Master: 'Alinhamento perverso'

Segundo João Accioly, o esquema envolvia investidores que preferiam ser enganados para registrar balanços mais robustos

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Segundo Accioly, o alinhamento teria permitido a manutenção de informações contábeis distorcidas | Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

Durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, nesta terça-feira, 24, João Accioly, presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), classificou o escândalo do Banco Master como resultado de um “alinhamento perverso de incentivos” entre gestores e investidores.

Segundo Accioly, esse alinhamento teria permitido a manutenção de informações contábeis distorcidas.

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Accioly detalhou que o mecanismo envolvia investidores que preferiam ser enganados para registrar balanços mais robustos, o que garantia a continuidade da emissão de CDBs e transmitia ao Banco Central (BC) uma falsa imagem de solidez.

“Foi um ‘me engana que eu gosto’”, explicou, ao relatar que tal conduta permitiu a perpetuação da fraude.

Ausência de Vorcaro e atuação da CVM

O presidente interino da CVM participou da audiência da CAE do Senado, onde o grupo de trabalho acompanha as investigações sobre o caso.

Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, deveria comparecer, mas não foi a Brasília depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou autorização para que ele usasse um jato privado no deslocamento.

Accioly, diretor da CVM desde 2022, defendeu a autarquia e ressaltou que a fiscalização se orienta pelo risco e prioriza cotistas individuais, pois, segundo ele, grandes investidores “têm condições de verificar isso”.

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Ele afirmou que não houve omissão da CVM, pois as irregularidades estavam concentradas em fundos exclusivos.

Accioly explicou que, nesses casos, a autarquia age a partir de denúncias dos próprios investidores.

“Não é uma omissão regulatória”, afirmou, acrescentando que as regras podem ser aprimoradas com tecnologia, como algoritmos que detectem padrões suspeitos.

Papel dos investidores e desafios na regulação

Segundo Accioly, a situação do Banco Master teve “peculiaridade estrutural”, pois o próprio cotista, ao superestimar os ativos, não era apenas vítima, mas atuava como agente ativo na fraude.

“Ele foi, em larga medida, promotor ativo do superdimensionamento (dos ativos)”, afirmou.

Ao responder aos senadores, Accioly reforçou que a responsabilidade recai sempre sobre quem comete a fraude.

“A cada nova fraude, é necessário melhorar os métodos”, ressaltou. “Não podemos confundir o crime com o combate.”

Leia também: “O Master e os manés”, artigo de Roberto Motta, publicado na Edição 307 da Revista Oeste

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