As inundações recentes na Espanha, causadas pelo fenômeno Dana, impactaram a produção de azeite de oliva. O desastre deve impactar no preço do produto em todo o mundo, e o valor pode disparar no Brasil.
As chuvas deste ano na Espanha são consideradas o maior desastre climático do século no país. A tragédia afetou significativamente as regiões de Valência e Andaluzia, importantes produtoras de azeite. Embora a umidade favoreça o crescimento das oliveiras, as fortes chuvas podem atrasar colheitas e comprometer a qualidade do produto final.
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Com estoques iniciais baixos, a Espanha enfrenta dificuldades em atender à demanda internacional. O estoque atual é 275 mil toneladas inferior à média, conforme dados do Ministério da Agricultura da Espanha.
Álvaro Olavarría, diretor da Oleoestepa, grande produtora de azeite no país, comentou o assunto ao programa Globo Rural, da Rede Globo.

“Estamos tensos”, disse Olavarría. “Apenas alguns dias de atraso poderão levar a indústria de embalagens, que atualmente só tem azeite para 30 dias, a ficar sem nada.”
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No Brasil, que depende quase totalmente das importações de azeite, o impacto é sentido diretamente nos preços. Um levantamento da Horus Inteligência de Mercado mostrou que embalagens de 250 ml subiram de R$ 20,03 para R$ 30,33 em um ano.
Em frascos maiores, de 500 ml, os valores saíram de R$ 31,58 para R$ 45,17. A combinação de baixa oferta global e desvalorização do real diante do dólar elevou os preços do produto no mercado interno.
Chuvas podem dificultar a produção de azeite

O pesquisador da Embrapa Clima Temperado Enilton Coutinho explicou que a chuva excessiva durante o período aumenta a concentração de água nas azeitonas. Isso dificultaria a produção.
“Isso pode impactar ainda mais a produção espanhola, porque diminui a quantidade de azeite extraído”, disse Coutinho à Globo. “Dá quebra de safra de azeite e, claro, contribui para o aumento do preço do produto.”
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Renato Fernandes, presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura, prevê que os preços só se estabilizem entre 2026 e 2027, caso as safras se normalizem. O especialista, porém, não acredita que os valores devem aumentar neste ano.
“Não acredito em preços muito mais altos do que os atuais, mas, infelizmente, considerando que estamos longe de atender à demanda mundial com os volumes que serão produzidos, os patamares serão mantidos”, afirma.
No Brasil, o Rio Grande do Sul lidera a produção, mas ainda assim representa apenas 1% da demanda nacional. A quebra de safra na Europa pode abrir espaço para o azeite brasileiro, apesar dos altos custos de produção. O aumento dos preços internacionais diminuiu a diferença entre o produto nacional e o importado.
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