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Economia

Populismo do governo Lula compromete a competitividade do Brasil

Intervenção direta no mercado é a prova da miopia econômica da gestão petista

Lula
O plano de 'socorro' do governo Lula, na verdade, é uma armadilha que compromete o futuro da economia brasileira | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A intervenção direta do governo no mercado, com a proposta de comprar produtos barrados pelas tarifas protecionistas de Donald Trump, não é apenas um sinal de miopia econômica, mas também a prova de uma submissão perigosa a medidas de curto prazo.

Em vez de enfrentar a raiz do problema — a vulnerabilidade de nossa pauta exportadora —, a gestão federal prefere uma manobra que beira o populismo, disfarçada de estratégia de longo prazo. A decisão de despejar dinheiro público para absorver excedentes de café, frutas, pescados e mel, em um contexto de incertezas e déficits fiscais crescentes, é uma medida que trai os princípios de uma economia de mercado saudável e competitiva e um ataque direto aos setores exportadores.

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O que está em jogo não é apenas a compra de alguns produtos, mas a consolidação de uma mentalidade de que o Estado é o grande salvador, o comprador de última instância, pronto a socorrer qualquer setor que se veja em dificuldade. Essa lógica é insustentável. Em vez de ser um facilitador do comércio, o governo se transforma em um agente central de distorção do mercado. Essa intervenção direta é um sinal de fraqueza, uma admissão tácita de que a economia brasileira não tem a capacidade de se adaptar e buscar novos mercados por conta própria.

Essa política pode gerar uma dependência crônica. O Brasil se torna refém de planos de contingência que, além de onerosos, não resolvem a causa-raiz do problema. A cada novo choque externo, o governo precisará, de novo, abrir os cofres públicos. Isso sobrecarrega a máquina estatal, aumenta o risco fiscal e mina a confiança dos investidores. É como um vício: em vez de se livrar da dependência, o governo oferece uma nova dose. Essa “muleta estatal” desincentiva a inovação e a busca por eficiência. Por que um produtor se esforçaria para reduzir custos ou melhorar a qualidade se sabe que, em caso de crise, o governo estará lá para comprar sua produção, não importa o preço?

Como o governo Lula deveria reagir

A ausência de clareza nos detalhes do plano é outro ponto extremamente preocupante. A falta de critérios bem definidos e de transparência sobre os volumes a serem comprados abre um espaço enorme para a corrupção e o favorecimento político. O risco de que essas compras se transformem em um balcão de negócios para grupos de interesse é real e não pode ser subestimado. O dinheiro do contribuinte pode ser mal utilizado em produtos que, por não encontrarem um destino viável no mercado, podem se deteriorar, gerando um desperdício colossal.

A solução para os desafios do comércio global não está em atitudes reativas e ingênuas, como a de comprar o que os outros não querem. O protecionismo de Trump deve ser um alerta, não uma oportunidade de gastar dinheiro público. A resposta do Brasil deveria ser fortalecer a sua economia de forma estrutural, com uma política externa que promova a diversificação de parceiros comerciais e a abertura de novos mercados. O foco deve ser em políticas de longo prazo que incentivem a inovação, a competitividade e a eficiência, para que a nossa indústria e o nosso agronegócio não dependam de muletas estatais.

Economia brasileira em risco

O plano de “socorro” do governo, na verdade, é uma armadilha que compromete o futuro da economia brasileira em nome de uma solução imediata e superficial, que apenas esconde o problema por debaixo do tapete. A verdadeira estratégia de desenvolvimento passa por menos intervencionismo e mais liberdade e competitividade para o mercado.

Não é aceitável que, em pleno século 21, a gestão econômica do país ainda se prenda a soluções de inspiração estatizante e populista, que há muito se provaram falhas e danosas. O governo demonstra, com essa ação, uma desconexão preocupante com a realidade global e uma preferência por soluções cosméticas eleitoreiras em detrimento de reformas estruturais. O Brasil clama por liderança que inspire confiança e promova a modernização, não por uma gestão que perpetua a dependência e a vulnerabilidade, empurrando para o futuro a conta de suas próprias decisões errôneas e omissas.


Eduardo Berbigier é advogado tributarista, especialista em agronegócio, membro dos Comitês Jurídico e Tributário da Sociedade Rural Brasileira e CEO do Berbigier Sociedade de Advogados.

Eduardo Berbigier é advogado tributarista | Foto: Divulgação/Arquivo pessoal
Eduardo Berbigier é advogado tributarista | Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

1 comentário
  1. DONIZETE LOURENCO
    DONIZETE LOURENCO

    Quando se trata de continuar no passado o Brasil é imbatível.
    O Estado corrupto em todas as instituições, perdulário por natureza e com uma elite que política e econômica que vive de privilégios não abre mão deste status para o país se desenvolver.
    Lembro que em 1982 no governo militar do General João Figueiredo o Congresso aprovou a Lei de proteção do setor de informática. Nasceu mais uma estatal, a Cobra, que tentou e nunca conseguiu produzir um único equipamento e hoje pelo que sei presta serviços ao Banco d Brasil.

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