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Economia

Polícia Federal encontra provas que contradizem ex-CEO da Americanas sobre fraude de R$ 25 bilhões

Miguel Gutierrez alegou desconhecer as 'inconsistências contábeis'

Fachada da unidade das Lojas Americanas, na rua Figueiredo de Magalhães, em Copacabana, na zona sul da cidade do Rio de Janeiro
Fachada da Americanas em Copacabana, no Rio de Janeiro | Foto: Pedro Kirilos/Estadão Conteúdo

A Polícia Federal (PF) encontrou provas que contradizem o ex-diretor-executivo das Lojas Americanas Miguel Gutierrez. Ele alegava desconhecer as “inconsistências contábeis”, responsáveis por um rombo de R$ 25,3 bilhões na empresa. O jornal O Estado de S. Paulo divulgou a informação nesta quarta-feira, 10.

As anotações recuperadas do iPad de Gutierrez mostram que ele estava ciente e acompanhava o mecanismo da fraude investigada na Operação Disclosure.

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De acordo com o Estadão, a defesa do ex-diretor-executivo da Americanas afirma que “jamais participou ou teve conhecimento de qualquer fraude”. “A defesa nega veementemente a participação de Miguel Gutierrez em qualquer fraude ou prática de atos para ocultar seu patrimônio, que se encontra estruturado de forma absolutamente lícita e transparente”, informaram os advogados.

A polícia encontrou as anotações no iPad de Gutierrez e serviram como base para o pedido de prisão preventiva. Ele registrava cada movimento fora da contabilidade oficial da empresa. O ex-diretor-executivo utilizava diferentes cores de tinta e destacava pontos importantes. Essas informações foram cruciais para a investigação.

O delegado André Gustavo Veras de Oliveira solicitou a prisão de Gutierrez, em 23 de junho, quatro dias antes do início da Operação Disclosure. O ex-diretor-executivo e outros executivos venderam R$ 287 milhões em ações, antes do anúncio do rombo de R$ 25,3 bilhões no balanço da empresa, em janeiro do ano passado.

A prisão de Gutierrez ocorreu em Madri, pela Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol). A polícia soltou o executivo mediante medidas cautelares, como a entrega do passaporte. A Procuradoria da República afirmou que há inúmeras provas de que “toda a fraude na Americanas era comandada por Gutierrez”.

Operações de risco não constavam no balanço da Americanas

As anotações do ex-diretor-executivo reforçam essa conclusão e questionam a versão dada por ele aos investigadores. Elas tratam de operações de risco sacado, não apresentadas nos balanços da Americanas.

Essas operações, que são uma forma de empréstimo, alongavam o prazo para pagamento a fornecedores, “otimizando” o caixa da varejista. O problema foi a ocultação dessas operações dos balanços, alertada pela Comissão de Valores Mobiliários, em 2016.

Investigadores encontraram anotações, como “o Itaú deve alongar” o pagamento do AF (antecipação de fornecedores) e registros sobre a operação “Forfait“, sinônimo para risco sacado.

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“Miguel Gutierrez não só tinha pleno conhecimento das operações de risco sacado, como também acompanhava de perto as tratativas de contratação e desenvolvimento delas junto aos bancos”, afirmou a PF.

O Ministério Público Federal destacou os manuscritos no parecer que concordou com o mandado de prisão de Gutierrez. Segundo a procuradoria, as anotações mostram que ele “não apenas sabia, como falava em ‘alongar prazo com o Itaú’ e que a reação do Santander ao risco sacado foi péssima”.

No caso da Americanas, a operação de risco sacado foi usada para gerar caixa sem que o mercado percebesse o passivo decorrente das operações de crédito sacado, que não foram registradas como dívidas. Isso levou o mercado a acreditar que a situação financeira da empresa era melhor do que a realidade.

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