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Economia

PF identifica ágio de R$ 2,4 bilhões em vendas do Master ao BRB

Investigação mostra que banco usou recursos públicos para cobrir rombo em caixa antes de formalizar venda

À esquerda, o ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro; à direita, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa | Fotos: Reprodução/Internet
À esquerda, o ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro; à direita, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa | Fotos: Reprodução/Internet

Documentos da Polícia Federal (PF) revelam que o Banco Master aplicou um ágio de R$ 2,4 bilhões na venda de carteiras para o Banco de Brasília (BRB). As operações ocorreram entre julho de 2024 e janeiro de 2025. O Master utilizou a estratégia para cobrir um rombo financeiro na instituição do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Diálogos no celular de Vorcaro indicavam a necessidade de aportes do BRB para manter o caixa do Master durante o ano de 2024. Sem o dinheiro do banco público, a instituição privada não teria recursos para honrar compromissos.

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A PF prendeu o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, na última quinta-feira, 16. Ele é suspeito de receber propina para favorecer o Master. A Operação Compliance Zero investiga fraudes na criação de carteiras falsas de crédito consignado pelo Master em 2025. O BRB pagou R$ 12,2 bilhões por esses ativos.

As relações do Master e do BRB

As investigações revelam que o Master pagou cifras maiores do que o valor real das carteiras. A PF afirma que o banco privado fabricou ativos falsos a partir de janeiro para garantir novos pagamentos do BRB. Planilhas obtidas com o executivo Alberto Félix detalham seis tipos de ativos vendidos, incluindo créditos consignados e CRIs.

O valor contábil dos ativos era de R$ 7,5 bilhões, mas o BRB pagou R$ 9,9 bilhões. O negócio gerou um ágio médio de 32%. Em casos extremos, o Master vendeu carteiras de crédito consignado com ágio de 93%. Uma carteira de R$ 20,3 milhões custou R$ 39,1 milhões ao banco público.

Leia também: “BRB enfrenta crise de liquidez e risco de intervenção do Banco Central”

Mensagens mostram que Vorcaro cogitou usar o depósito compulsório do Banco Central para cobrir dívidas em setembro de 2024. Ele pressionou sócios por repasses do BRB para evitar a crise de liquidez. A defesa de Alberto Félix afirma que ele não tinha poder decisório. O BRB e a defesa de Paulo Henrique Costa não se manifestaram.

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