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Economia

Perda do BRB pode chegar a R$ 5 bi; BC sabia das inconsistências, diz diretor

Avaliações técnicas apontam ativos sem lastro, falhas de governança e necessidade de reforço bilionário em provisões contábeis

Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central: rombo anunciado | Foto: Agência Senado
Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central: rombo anunciado | Foto: Agência Senado

A perda do BRB com a aquisição de carteiras de crédito do Banco Master pode alcançar R$ 5 bilhões. A estimativa resulta de análises técnicas que identificaram ativos problemáticos, com baixa ou nenhuma capacidade de recuperação. 

O impacto financeiro decorre, principalmente, da necessidade de ampliar provisões exigidas pela regulação bancária. Em depoimento à Polícia Federal, o diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Ailton de Aquino, admitiu que a instituição sabia das inconsistências das carteiras de crédito da empresa Tirreno vendidas pelo Master ao BRB por R$ 12,2 bilhões

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BRB e as operações de alto risco

Inicialmente, técnicos apontaram a obrigação imediata de cerca de R$ 2,7 bilhões em reservas. Em seguida, avaliações complementares indicaram a possibilidade de mais R$ 2,2 bilhões em ajustes. Assim, o valor total tende a ultrapassar o patamar de R$ 5 bilhões, conforme o avanço da reclassificação dos ativos.

Além disso, as operações passaram a ser tratadas como de alto risco. Parte relevante dos créditos analisados não apresentava lastro financeiro comprovado. Em vários casos, os títulos formalizavam valores inexistentes, o que ampliou o potencial de prejuízo para o banco público.

Leia também: “A espada de Vorcaro”, artigo de Alexandre Garcia publicado na Edição 306 da Revista Oeste

O prejuízo do BRB também se relaciona ao acompanhamento prévio das carteiras adquiridas. Ainda em março de 2025, a autoridade monetária já havia manifestado preocupação com a qualidade dos ativos negociados. Naquele momento, questionamentos formais levaram o banco a intensificar o reporte das carteiras envolvidas.

A partir desses alertas, o monitoramento passou a ser mais rigoroso. Mesmo assim, as operações seguiram sob análise até a posterior liquidação do Banco Master. O regulador considera que o risco elevado das carteiras já estava caracterizado meses antes do desfecho institucional.

Segundo avaliações técnicas, o banco público pagou R$ 12,2 bilhões por carteiras que apresentavam inconsistências graves. Posteriormente, a operação foi desfeita, e os valores retornaram ao BRB na forma de outros ativos, que permanecem sob análise.

As apurações também apontam falhas de governança no processo decisório do BRB. Procedimentos básicos de auditoria poderiam ter identificado, com antecedência, a inexistência de parte dos créditos negociados. A ausência desses controles ampliou a exposição ao risco. Agora, o banco avalia os efeitos sobre seu balanço e indicadores de capital. 

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