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Economia

'Pacote de bondades' de Lula já equivale a 1,6% do PIB

Valor supera receitas adicionais estimadas e, segundo economista, tem impacto direto na dívida pública

Cuba . Deixe em branco se a imagem é apenas decorativa.
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a 1ª Reunião da Mobilização Progressista Global, realizada na Feira de Barcelona — Catalunha, Espanha, 18/4/2026 | Foto: Ricardo Stuckert/PR

O “pacote de bondades” promovido pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva já soma R$ 215 bilhões em 2026, o equivalente a 1,6% do PIB. É o que diz um levantamento do economista Marcos Mendes, pesquisador do Insper. Segundo o jornal O Globo, o valor supera as receitas adicionais estimadas em R$ 109 bilhões.

De acordo com Mendes, apenas R$ 9 bilhões dessa expansão fiscal entram nos limites do arcabouço fiscal, regra criada pelo próprio governo em 2023 para controlar o crescimento das despesas públicas.

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O economista afirma que parte relevante dos incentivos econômicos foi estruturada por meio de mecanismos que ficam fora da contabilidade tradicional dos gastos primários. Entre eles estão linhas de crédito subsidiado operadas pelo BNDES para caminhoneiros, taxistas e motoristas de aplicativo, além de financiamentos habitacionais.

Segundo o levantamento, R$ 97 bilhões da expansão fiscal correspondem a despesas classificadas como financeiras, enquanto outros R$ 35 bilhões foram enquadrados como gastos extraorçamentários, realizados por meio de fundos públicos fora do Orçamento.

‘Pacote de bondades’ do governo Lula impacta a dívida pública

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

As despesas e as desonerações que afetam diretamente o resultado primário somam R$ 83 bilhões. Mendes afirma que parte desses valores também está fora dos limites do arcabouço por causa de exceções aprovadas pelo Congresso ou determinadas pelo Judiciário.

Para o pesquisador, independentemente da classificação contábil adotada, todas as medidas têm impacto sobre a dívida pública. Segundo ele, o aumento do endividamento tende a pressionar os juros e pode dificultar o controle da inflação nos próximos anos.

Mendes também criticou o uso de recursos extraorçamentários e afirmou que a estratégia enfraquece a credibilidade do arcabouço fiscal. Na avaliação do economista, o principal desafio para os próximos governos será promover um ajuste efetivo das contas públicas.

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