A Justiça Federal do Distrito Federal decidiu manter o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, sob custódia depois de audiência nesta terça-feira, 18. A Polícia Federal (PF) o deteve na segunda 17, em São Paulo. O banqueiro embarcaria para o exterior. A defesa informou que vai tentar reverter a prisão.
Vorcaro está na sede da PF em São Paulo. Advogados pediram que ele permaneça na carceragem por segurança. Não houve decisão sobre o pedido. A juíza responsável pela audiência determinou que a PF informe se há condições para mantê-lo no local. As autoridades também prenderam Augusto Lima, sócio de Vorcaro no Master.
Receba nossas atualizações
Justiça analisa argumentos da defesa
A audiência de custódia começou por volta das 16h. Durou cerca de uma hora. A defesa argumentou principalmente que, com a liquidação do banco, não haveria risco que justificasse a prisão preventiva. Alegou da mesma forma que Vorcaro comprovou ter uma reunião marcada em Dubai com representantes do fundo comprador.
Os advogados afirmaram que ele não pode, por decisão da Justiça, administrar nenhuma instituição financeira. Acrescentaram ainda que agentes já concluíram o processo de busca e apreensão de eventuais documentos, assim como bens. Do mesmo modo, a defesa sustentou que o banqueiro tem mulher e filho no Brasil. Isso descartaria assim a hipótese de fuga.
A defesa diz ter apresentado antecipadamente o plano de voo. Investigadores, no entanto, revelam que o jato particular que o aguardava seguiria para Malta, no Mar do Mediterrâneo, no sul da Europa. Esse dado reforçaria sobretudo a suspeita de tentativa de fuga.
As investigações sob condução do Ministério Público Federal e da Polícia Federal identificaram desvios bilionários na compra de carteiras de crédito do Master pelo Banco de Brasília (BRB). A operação entre a instituição pública e o banco de Vorcaro não passou no crivo do Banco Central, em setembro.
Leia também: “Plano de fuga fez Vorcaro simular venda do Master, sugere investigação”
A apuração da provável fraude no sistema financeiro indica principalmente um repasse do BRB ao Master no valor de R$ 12,2 bilhões, sem a devida justificativa. Parte desses recursos, quase R$ 7 bilhões, corresponderia a contratos falsos. Outros R$ 5,5 bilhões referem-se ao pagamento de prêmios pela venda de carteiras de crédito acrescidas de bônus. As transferências, conforme as investigações, começaram antes do anúncio da intenção de compra, em março. O movimento manteve-se até maio deste ano.
Os investigadores acreditam que Vorcaro teve acesso a informações sigilosas, como a ordem de prisão, bem como a decisão do Banco Central de liquidar o Master. Ciente dos processos de forma antecipada, o banqueiro acelerou assim a publicidade da transação com os árabes para desviar desse modo a atenção das autoridades e, ao mesmo tempo, justificar sua viagem ao exterior.
+ Leia mais notícias de Economia na Oeste





































Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.