A escalada da guerra no Oriente Médio voltou a colocar a economia global sob tensão, principalmente por causa da alta do preço do barril de petróleo, que reacendeu o temor de inflação, instabilidade e fuga de capitais.

Todavia, segundo Itaú BBA, o Brasil, desta vez, não está no centro da tempestade.
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Pelo contrário: o país atravessa o choque externo com uma combinação rara de fatores que funcionam como amortecedores, ainda que não eliminem os riscos.
Selic elevada ajuda a estabilizar o cenário
Durante a apresentação do “Itaú Macro em Pauta”, os economista do banco explicaram que a principal linha de defesa da economia brasileira continua sendo a Selic, mantida em patamar elevado mesmo após o recente corte realizado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC).
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Com juros significativamente acima dos praticados em economias desenvolvidas, o Brasil segue atraindo capital estrangeiro. Um fator crucial em momentos de aversão global ao risco. Esse diferencial ajuda a conter a desvalorização do real, mesmo diante de um cenário internacional turbulento.
Na prática, isso significa que o país consegue evitar um dos efeitos mais comuns em crises externas: a fuga abrupta de dólares e a disparada da moeda norte-americana.
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Não por acaso, o câmbio tem se mantido relativamente estável, girando em torno de R$ 5,20 a R$ 5,30, segundo o Itaú BBA.
Petróleo transforma risco global em vantagem brasileira
Se, no restante do mundo, o petróleo é sinônimo de preocupação, no Brasil ele também representa uma oportunidade.
O país tornou-se exportador líquido da commodity, com um superávit de cerca de US$ 29,6 bilhões no setor. Isso garante entrada de dólares e reforça as contas externas justamente no momento em que o mercado global se mostra mais instável.
Além disso, o Itaú BBA trabalha com um cenário em que o conflito não se prolongue indefinidamente. Nesse caso, o choque nos preços do petróleo tende a ser temporário — reduzindo o risco de uma crise mais profunda e prolongada.
“O fechamento [do Estreito] deve durar pelo menos até metade de abril. Se não tiver nenhuma novidade, se seguir fechado, o preço seguirá subindo. A assimetria versus os preços atuais é de preços mais altos, e não mais baixos, olhando para a frente. Para voltar abaixo de US$ 100, precisa ter solução para a guerra, e não existe expectativa no curto prazo, mas não existe expectativa de guerra o ano todo – justamente porque a relevância do local ali é gigantesca”, disse o economista do Itaú BBA, Pedro Schneider.
Inflação no radar: combustíveis são o ponto sensível
Apesar dos amortecedores, há um canal claro de transmissão da crise: os combustíveis.
O aumento do preço do petróleo no mercado internacional pressiona diretamente a inflação brasileira. Segundo estimativas do Itaú, cada alta de 10% na gasolina pode adicionar cerca de 0,20 ponto porcentual ao índice de preços.
Esse efeito coloca o Banco Central do Brasil em posição delicada. De um lado, há espaço para cortes de juros; de outro, o risco inflacionário exige cautela.

O resultado é um cenário de política monetária mais conservadora por parte dos bancos centrais, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo.
A guerra elevou o grau de incerteza global e já começa a alterar o comportamento das autoridades monetárias: o aumento da cautela entre bancos centrais, que passaram a reavaliar cortes de juros diante da possibilidade de inflação mais persistente.
Para os economistas do Itaú BBA, o conflito no Irã pode atrasar o alívio monetário que os mercados vinham esperando. Um fator que tende a reduzir o crescimento global.
Brasil à margem, mas não imune
Para os economistas do Itaú, o Brasil está relativamente bem posicionado para atravessar a crise, sem grandes danos, ao menos no curto prazo.
A combinação de juros altos, fluxo de dólares via petróleo e estabilidade cambial cria uma espécie de blindagem parcial contra choques externos.
A taxa de câmbio continua na faixa de R$ 5,20 e R$ 5,30, e para o Itaú BBA deve se manter nesse patamar.
Segundo Julia Gottlieb, economista do Itaú BBA, a moeda brasileira “tem se comportado bastante bem”, sustentada por termos de troca favoráveis e pelo diferencial de juros ainda elevado.
Mas há um limite. Se o conflito se prolongar, os efeitos podem se intensificar, especialmente via inflação, desaceleração global e maior aversão ao risco, piorando o câmbio e elevando o prêmio de risco para as economias emergentes. Como admitem os próprios economistas do Itaú BBA, a duração da guerra será o fator decisivo para determinar o tamanho do impacto.





































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