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Economia

Juro do consignado privado atinge quase 60% ao ano

Taxa bate recorde, enquanto crédito recua e rotativo do cartão pressiona custos

Mão segurando seta vermelha apontando para cima sobre pilhas crescentes de moedas, simbolizando aumento da taxa de juros e crescimento econômico.
Endividamento por cartão de crédito aumenta, com atraso de até 90 dias | Foto: Divulgação/Freepik

Dados do Banco Central (BC) mostram que a taxa média de juros do consignado privado chegou a 60% ao ano em fevereiro.

O patamar representa o recorde da série. A taxa subiu 2 pontos porcentuais (p.p.) no mês e acumula alta de 18,5 pontos em 12 meses. O nível supera o observado antes da ampliação do consignado para trabalhadores com carteira assinada. Na época, a média girava em torno de 40% ao ano.

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O chefe do departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, obsserva que, “nessa linha específica, se olhar abril de 2025 para fevereiro de 2026, temos mais um cenário de novo patamar da taxa de juros do que uma trajetória de crescimento”.

Crédito recua e rotativo amplia pressão sobre juros

As concessões de crédito consignado para trabalhadores CLT caíram em fevereiro. O volume liberado somou R$ 7,15 bilhões. Em janeiro, o montante alcançou R$ 9,22 bilhões. A retração mensal foi de 22%. O resultado considera que fevereiro teve menos dias úteis.

O aumento dos juros também acompanha o avanço do rotativo do cartão de crédito. A taxa média dessa modalidade chegou a 436% ao ano em fevereiro. O indicador subiu 11,4 pontos porcentuais no mês. O rotativo atinge cerca de 40 milhões de clientes no país.

Segundo Galípolo, ‘motivações por trás das sanções parecem ser inusitadas’ | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Presidente do BC, Gabriel Galípolo afirma que as taxas de juros são “punitivas” | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou na semana passada que essas taxas são “punitivas”. Ele defendeu debate estrutural para criação de alternativas mais adequadas ao crédito.

Endividamento avança e renda fica mais comprometida

O comprometimento de renda das famílias atingiu 29% em janeiro. O indicador subiu 0,1 p.p. no mês. O nível representa o maior da série histórica iniciada em 2011.

O endividamento das famílias ficou em 50% em janeiro. O dado permaneceu estável no mês. Na comparação em 12 meses, houve avanço de 1,1 p.p.

O Banco Central também registrou atraso superior a 90 dias em parte dessas dívidas.

A alta dos juros ocorre em meio a preocupação no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O cenário envolve impacto do custo do crédito sobre o endividamento das famílias.

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