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Economia

INSS fez pagamentos indevidos de R$ 4,4 bilhões a beneficiários já falecidos

Entre 2016 e 2025, o sistema permitiu que mais de 275 mil pessoas já falecidas, segundo registros oficiais, continuassem recebendo benefícios

Fachada do INSS em Brasília - 2.11.2023 | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Pagamentos indevidos feitos pelo INSS são provenientes de falhas | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Falhas graves no controle de registros de óbitos levaram o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a fazer pagamentos indevidos que somam R$ 4,4 bilhões a beneficiários falecidos, conforme apuração do Tribunal de Contas da União (TCU). Entre 2016 e 2025, o sistema permitiu que 275.872 pessoas já falecidas, segundo indícios oficiais, continuassem recebendo benefícios.

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O relatório da auditoria, aprovado pelo plenário do TCU, analisou dados do Sistema Nacional de Informações de Registro Civil (Sirc) e revelou que 91% dos repasses foram para benefícios previdenciários. Os pagamentos irregulares envolveram também salários e pensões de servidores públicos, além de programas como o Bolsa Família. Apenas em fevereiro de 2025, R$ 21,3 milhões foram creditados a 11.026 beneficiários considerados mortos nos cadastros oficiais.

O acórdão do TCU foi disponibilizado nesta quarta-feira, 23.

Entre os motivos do problema estão a ausência de comunicação de óbitos por cartórios, o sub-registro de mortes em cidades de pequeno porte e a falta de normas para atualização de registros antigos.

“Escandaloso”, diz presidente do TCU sobre pagamentos a falecidos pelo INSS

Para o ministro Jorge Oliveira, relator do processo, “faltam ações corretivas, sanções e medidas preventivas. Há vácuos regulatórios e descoordenação entre os atores envolvidos”. O ministro também destacou a fragilidade da governança e apontou a baixa participação dos cartórios e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no Comitê Gestor do Sirc (CGSirc).

+ Fraude bilionária no INSS ainda não gerou indiciamentos

O ministro Bruno Dantas destacou que o pagamento a pessoas já falecidas evidencia falhas na integração dos sistemas públicos, dificultando o repasse imediato de informações ao INSS e a outros órgãos. Durante a sessão, Dantas disse: “Não é apenas alarmante, mas escandaloso: o Brasil pagou, em dez anos, bilhões de reais a pessoas já falecidas, porque fomos incapazes, como nação, de integrar nossos sistemas de forma eficiente”.

Sessão plenária no TCU | Foto: Divulgação/TCU
Sessão plenária no TCU | Foto: Divulgação/TCU

Como resposta, o TCU ordenou que o INSS convoque os beneficiários com registro de óbito para realizar a prova de vida, sob risco de suspensão do pagamento caso não comprovem estarem vivos. O instituto terá 90 dias para identificar responsáveis e aplicar sanções a cartórios que deixarem de informar os óbitos corretamente.

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2 comentários
  1. Jorge Augusto Santos
    Jorge Augusto Santos

    Pagou aos mortos ??? Mas quem ficou com a grana ? Simples o povo do PT é por isso que não vai dar em nada

  2. Enoch Bruder
    Enoch Bruder

    Que ótimo, bem lembrado! O TCU ordena ao
    Inss que convoque os mortos a fazerem
    a prova de vida, sob PENA -de perderem os
    benefícios, que aliás, aos quais já não fazem jus, desde quê faleceram! Muito eficiente essa
    medida! Um espanto de eficiência!

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