publicidade
Economia

A meta de inflação é uma meta social

Se o atual governo federal tem preocupações sociais importantes, deveria ter muito cuidado com a trajetória dos preços no país

governo lula
Os ministros Simone Tebet (Planejamento) e Fernando Haddad (Fazenda), durante entrevista coletiva depois de apresentarem ao presidente Lula o quadro fiscal do país - 17/06/2024 | Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Antonio Carlos Porto Gonçalves*

O período de maior redução da pobreza e da concentração de renda no Brasil, nos últimos 40 anos, resultou da rápida diminuição da taxa de inflação galopante, típica da década de 1980, para valores menores que 10% ao ano já na primeira metade da década de 1990. O índice Gini brasileiro, o qual mede a concentração da distribuição de renda, sofreu uma redução de quase 10% devido à queda da inflação; foi uma redução maior do que a decorrente de qualquer outro programa social do governo, inclusive o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida.

Receba nossas atualizações

Conclui-se, portanto, que a meta de inflação no Brasil, além de gerar eficiência, previsibilidade e confiança, é uma meta social, pois o assalariado pobre não consegue se defender adequadamente das altas de preços. Se o atual governo brasileiro tem preocupações sociais importantes, como as declarações e a postura de seus líderes indicam, deveria ter muito cuidado com a trajetória dos preços no país; sobretudo se ambicionar a reeleição daqui a 2 anos. Mas esse cuidado não vem acontecendo.

A receita fiscal do governo no Brasil, a qual chegou a um percentual um pouco acima de 35% da renda nacional, dificilmente pode ser aumentada como percentual dessa renda. Isso porque níveis mais altos de taxação vão “exportar” a atividade econômica e os investidores do Brasil para o exterior; vão estimular a sonegação, sendo até possível que acarretem uma redução do valor absoluto arrecadado. Assim sendo, a contenção (e a racionalização) dos gastos públicos, para evitar os déficits orçamentários crescentes, é vital para o controle da inflação, para a manutenção de taxas de juros apenas altas e não altíssimas.

Infelizmente o “pacote” de controle de gastos recentemente anunciado inclui itens que implicam renúncia fiscal, ou seja, uma expansão indireta de gastos. A perspectiva de maior necessidade de financiamento de um déficit público aumentado levou a uma forte alta das taxas de juros no país. O governo é o maior devedor no Brasil e vai ter que pagar juros mais altos ainda para refinanciar a sua dívida pública. A expansão projetada dessa dívida, elevando a possibilidade de calote, induz à compra de dólares por parte dos brasileiros, o que aumenta a taxa de câmbio e os preços relacionados ao câmbio.

O governo brasileiro está seguindo uma política econômica  equivocada que deve acelerar a inflação no país e terá consequências sociais negativas, pois a meta de inflação é uma meta social.

Leia também: “O linchamento do general”, artigo de J.R. Guzzo publicado na Ediçã0 248 da Revista Oeste


*Antonio Carlos Porto Gonçalves é Ph.D. em Economia e membro do Instituto Liberal

Leia mais sobre:

2 comentários
  1. José Eduardo Ferreira Prado de Carvalho
    José Eduardo Ferreira Prado de Carvalho

    Ou seja, tudo o que o desgoverno petista faz é ferrar cada vez mais com quem já está ferrado, e o que é estranho, que essa é a escolha destes ferrados, que embora sejam um tanto leigos em economia, os efeitos dessa política desastrosa e perversa se reflete nos bolsos e na dispensa de alimentos.

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.