publicidade
Economia

Indústria cobra de Lula que negocie tarifas impostas pelos EUA

CNI pede retomada do diálogo entre os governos dos dois países

CNI índice confiança da indústria
Falta de confiança da indústria gera alerta para a Economia | Foto: Reprodução/Instagram CNI

A decisão do governo dos Estados Unidos de elevar para 50% a tarifa de importação sobre produtos brasileiros provocou reações imediatas de entidades empresariais no Brasil, como a Confederação Nacional da Indústria e a Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil).

A CNI classificou a medida como injustificada do ponto de vista econômico e defendeu a intensificação do diálogo com a administração do presidente norte-americano, Donald Trump. Para o órgão, a prioridade deve ser “preservar a relação comercial histórica e complementar entre os países”.

Receba nossas atualizações

Em nota publicada nesta quinta-feira, 10, o presidente da entidade, Ricardo Alban, afirmou que “não existe qualquer fato econômico que justifique uma medida desse tamanho, elevando as tarifas sobre o Brasil do piso ao teto”. Segundo ele, “os impactos dessas tarifas podem ser graves para a nossa indústria, que é muito interligada ao sistema produtivo norte-americano”.

Leia mais notícias de Economia na Oeste

A elevação das tarifas afeta diretamente a competitividade de cerca de 10 mil empresas brasileiras que exportam para os EUA. Os EUA ocupam a terceira posição entre os principais parceiros comerciais do Brasil e são o principal destino das exportações da indústria de transformação nacional.

A CNI realizou uma consulta entre junho e o começo de julho com empresas que exportam bens e serviços aos EUA. Os resultados preliminares demonstraram que um terço das empresas respondentes registrou impactos negativos nos negócios, mesmo sob a tarifa básica anterior de 10% e demais medidas setoriais.

Além das consequências diretas sobre as exportações, a entidade destaca o risco de prejuízos à estrutura produtiva dos dois países. “A forte integração econômica entre os dois países é evidenciada pelas 3,6 mil empresas norte-americanas com investimentos no Brasil e pelas 2,9 mil empresas brasileiras com presença nos EUA”, informou a CNI.

Leia mais:

Indústria destaca integração entre os dois países

A relação comercial entre Brasil e EUA é descrita como de “forte complementariedade econômica”. Dados da CNI demonstram que, na última década, os insumos produtivos representaram em média 61,4% das exportações brasileiras para os EUA e 56,5% das importações.

“Sempre defendemos o diálogo como o caminho mais eficaz para resolver divergências e buscar soluções que favoreçam ambos os países”, afirmou Alban. “É por meio da cooperação que construiremos uma relação comercial mais equilibrada, complementar e benéfica entre o Brasil e os EUA.”

A instituição também contesta a justificativa apresentada por Washington. Segundo a CNI, “ao contrário da afirmação do governo dos EUA, o país norte-americano mantém superávit com o Brasil há mais de 15 anos”. De acordo com os dados levantados, o superávit dos EUA no comércio de bens com o Brasil chegou a US$ 91,6 bilhões na última década.

Quando incluído o comércio de serviços, o saldo norte-americano atinge US$ 256,9 bilhões. A entidade acrescenta que, em 2023, a tarifa efetiva aplicada pelo Brasil aos produtos norte-americanos foi de 2,7%, inferior à tarifa nominal de 11,2% assumida na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Presidente dos EUA, Donald Trump | Foto: Reprodução/Flickr
Presidente dos EUA, Donald Trump | Foto: Reprodução/Flickr

A Amcham também se manifestou oficialmente. Em nota, declarou “profunda preocupação com a decisão anunciada pelo governo dos EUA de impor uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras”. Para a entidade, a medida tem “potencial para causar impactos severos sobre empregos, produção, investimentos e cadeias produtivas integradas entre os dois países”.

A Amcham recordou que, em 2024, o saldo comercial de bens e serviços favoreceu os EUA em US$ 29,2 bilhões, segundo dados oficiais daquele país. A entidade destacou que o comércio bilateral é “fortemente complementar e tem gerado benefícios concretos para ambos os lados”.

O impacto da medida também se traduz em números sociais. Em 2024, segundo dados da CNI, para cada R$ 1 bilhão exportado ao mercado norte-americano, foram gerados 24,3 mil empregos, R$ 531,8 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção no Brasil. A imposição da nova tarifa, portanto, interfere diretamente nos níveis de emprego e renda da economia brasileira.

As entidades empresariais aguardam uma resposta diplomática do governo brasileiro e pedem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que busque alternativas de negociação direta com o governo norte-americano. O objetivo, segundo as entidades, é restaurar um ambiente de confiança e previsibilidade que preserve a parceria estratégica entre os dois países.

Leia também: “A América sempre reage”, artigo de Ana Paula Henkel publicado na Edição 242 da Revista Oeste

3 comentários
  1. FLAVIO AUGUSTO ROSSI
    FLAVIO AUGUSTO ROSSI

    Mais Bahh… ele vai mandar a Canja , afinal não foi ela que acertou com o Xi Ping Ping a ajuda pro Brasil ?

  2. jose angelo
    jose angelo

    Temos que retomar a legalidade. Então voltemos no tempo? Não. Eleições,claras e escrutináveis. Se o processo fosse,sadio, o STF e o PT não teriam os nomes que aí se apresentam.

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.