O Banco Central (BC) divulgou nesta segunda-feira, 30, dados que revelam aumento na inadimplência da carteira de crédito total do Sistema Financeiro Nacional. A taxa subiu 0,2 ponto porcentual e chegou a 4,3%.
O avanço foi registrado tanto entre pessoas jurídicas quanto físicas, com índices de 2,6% e 5,2% respectivamente. No crédito com recursos livres, a inadimplência também cresceu 0,2 ponto porcentual, alcançando 5,5%, o maior nível desde agosto de 2017. Em 12 meses, o indicador subiu 1 ponto porcentual.
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As concessões de empréstimos caíram 6,5% em fevereiro na comparação com janeiro. O estoque total de crédito avançou 0,4% no período, a R$ 7,146 trilhões. Nos financiamentos com recursos livres, houve queda de 6,8%; nas operações com recursos direcionados, recuo de 2,7%.
Os juros do crédito livre ficaram em 48,6%, alta de 0,8 ponto porcentual. Nos recursos direcionados, houve leve recuo, a 11,4%. O spread bancário — a diferença entre a taxa de juros que os bancos cobram ao emprestar dinheiro e a taxa que pagam ao captar recursos— subiu para 35,3 pontos porcentuais.
Segundo o BC, em fevereiro houve expansão de R$ 21 trilhões no crédito ampliado ao setor não financeiro, equivalente a 163,7% do Produto Interno Bruto. O resultado refletiu aumentos de 2% nos títulos públicos e privados de dívida.
Inadimplência crescente
Na última semana, a Serasa Experian divulgou o “Mapa da inadimplência do Brasil: 10 anos”, o levantamento mostra que a inadimplência tem aumentado no país na ultima década.
De acordo com os dados, o Brasil tem 81,7 milhões de inadimplentes, crescimento de 38,47% desde 2016. O número equivale a 75% da população economicamente ativa, estimada em 108 milhões.
Na sexta-feira 27, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, destacou os cartões de crédito como principal foco da inadimplência. “A maior parte está relacionada ao cartão de crédito e ao rotativo.”
Com taxas de juros que podem ultrapassar 400% ao ano, Galípolo disse que o uso dessa modalidade, que atinge cerca 100 de milhões de pessoas, funciona como um crédito emergencial recorrente. De acordo com ele, essa situação gera um “efeito bola de neve” no endividamento das famílias.
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