A inadimplência atingiu 22,1% das famílias da capital paulista em julho, segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP). Esse é o maior patamar desde abril de 2024. A alta dos juros e a inflação pressionam a renda dos lares, mas o desemprego baixo e o perfil de dívidas de curto prazo evitam uma deterioração mais grave.
Em números absolutos, 905,7 mil lares estavam com dívidas em atraso em julho. No mesmo período de 2024, esse número era de 19,9%.
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A federação divide os grupos por faixa de renda. Entre os lares com até dez salários mínimos, a inadimplência subiu de 26,1% em junho para 26,5% em julho. Já nas famílias com renda acima desse valor, passou de 10,5% para 11,3%.
O volume de contas em atraso cresceu também devido à redução do crédito, que costuma complementar a renda e manter o consumo. Por outro lado, o desemprego está em 6,2% no trimestre encerrado em maio, e a inflação recua desde fevereiro. Esses fatores ajudam a conter uma alta maior da inadimplência.
O porcentual de lares que não conseguirão pagar suas dívidas subiu para 9,1% em julho, ante 9% em junho. Há um ano, o índice era de 8,2%. O tempo médio de atraso é de 62 dias.
Endividamento cai, mas cartão de crédito segue como vilão
A pesquisa também analisou o endividamento das famílias — que considera dívidas ainda não vencidas. Nesse recorte, houve queda de 71,4% em junho para 70,9% em julho, o equivalente a 2,9 milhões de lares.
O cartão de crédito segue como principal fonte de endividamento, presente em 80% dos orçamentos. Em segundo lugar está o financiamento imobiliário. O aumento da inadimplência também leva o sistema financeiro a restringir o crédito.
As dívidas comprometeram 27% da renda familiar em julho, o menor índice desde fevereiro. A federação considera aceitável que até um terço da renda seja destinado ao pagamento de dívidas.
Apesar da perda de produtividade, empresas mantêm seus quadros para evitar dificuldade na reposição de mão de obra, o que sustenta a renda e o consumo.
Tarifaço não deve aumentar inadimplência
A FecomercioSP ainda não projeta efeitos imediatos da guerra tarifária imposta pelos Estados Unidos sobre o cotidiano das famílias paulistanas.
Se a sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros for confirmada na sexta 1º, a expectativa da entidade é que a inadimplência não se altere no curto prazo, devido à alta empregabilidade.
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Desemprego de 6,2%, só se for em Marte. Só entram no cálculo aqueles que previram emprego; os desalentados não entram na estatística assim como os nem-nem. Fala sério!!!