O Ministério do Trabalho e Emprego informou nesta segunda-feira, 27, que o governo federal passou a prever punições para bancos que cobrem juros considerados acima da média no crédito consignado privado.
A decisão saiu na última semana, durante reunião do Comitê Gestor das Operações de Crédito Consignado. A medida não fixa um teto formal, mas estabelece uma taxa de referência para orientar as cobranças.
Receba nossas atualizações

Em nota, o ministério afirmou que “as instituições financeiras não poderão praticar taxas de juros muito acima dessa referência”. O descumprimento pode levar à notificação e até à suspensão no programa Crédito do Trabalhador.
Regra pressiona bancos e gera incerteza
Segundo o governo, a taxa média das operações está em 3,66% ao mês. A nova regra limita a diferença a um ponto porcentual entre os juros nominais do contrato e o custo efetivo total, que inclui tributos e seguro.
Relatório do BTG Pactual estima que o teto implícito pode ficar próximo de 4,98% ao mês, com custo efetivo total de cerca de 5,98%.
+ Leia mais notícias de Economia em Oeste
Para o banco, mesmo sem impor um limite formal como no consignado do INSS, a medida cria precedente e amplia a incerteza sobre a evolução das taxas no mercado.
Lançado em março de 2025, o programa Crédito do Trabalhador busca ampliar o acesso ao crédito com desconto em folha para trabalhadores do setor privado, como uma extensão do empréstimo consignado como FGTS. A iniciativa já movimentou R$ 121 bilhões em empréstimos.
Dados do Banco Central mostram que o endividamento das famílias chegou a 49,9% em fevereiro, o maior nível da série histórica. O cenário combina alta inadimplência com maior presença do governo na regulação do crédito, em um momento que antecede o ciclo eleitoral.
+ Leia também “O conto do vigário“, artigo de Carlos Cauti, publicado na Edição 262 na Revista Oeste





































Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.