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Economia

Governo prevê punição a bancos por juros e amplia intervenção no crédito privado

Regra cria referência para taxas e levanta dúvidas no mercado financeiro

bancos dívidas
De acordo com o governo, a taxa média das operações está em 3,66% ao mês | Foto: Agência Brasil

O Ministério do Trabalho e Emprego informou nesta segunda-feira, 27, que o governo federal passou a prever punições para bancos que cobrem juros considerados acima da média no crédito consignado privado.

A decisão saiu na última semana, durante reunião do Comitê Gestor das Operações de Crédito Consignado. A medida não fixa um teto formal, mas estabelece uma taxa de referência para orientar as cobranças.

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O programa Crédito do Trabalhador foi lançado em março deste ano, tipo de extensão de empréstimo consignado, garantido com o FGTS | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Em nota, o ministério afirmou que “as instituições financeiras não poderão praticar taxas de juros muito acima dessa referência”. O descumprimento pode levar à notificação e até à suspensão no programa Crédito do Trabalhador.

Regra pressiona bancos e gera incerteza

Segundo o governo, a taxa média das operações está em 3,66% ao mês. A nova regra limita a diferença a um ponto porcentual entre os juros nominais do contrato e o custo efetivo total, que inclui tributos e seguro.

Relatório do BTG Pactual estima que o teto implícito pode ficar próximo de 4,98% ao mês, com custo efetivo total de cerca de 5,98%.

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Para o banco, mesmo sem impor um limite formal como no consignado do INSS, a medida cria precedente e amplia a incerteza sobre a evolução das taxas no mercado.

Lançado em março de 2025, o programa Crédito do Trabalhador busca ampliar o acesso ao crédito com desconto em folha para trabalhadores do setor privado, como uma extensão do empréstimo consignado como FGTS. A iniciativa já movimentou R$ 121 bilhões em empréstimos.

Dados do Banco Central mostram que o endividamento das famílias chegou a 49,9% em fevereiro, o maior nível da série histórica. O cenário combina alta inadimplência com maior presença do governo na regulação do crédito, em um momento que antecede o ciclo eleitoral.

+ Leia também “O conto do vigário“, artigo de Carlos Cauti, publicado na Edição 262 na Revista Oeste

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