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Economia

Galípolo prega autonomia do BC e quer 'cortar na própria carne'

O presidente do BC também enalteceu a diversidade de opiniões no mercado financeiro representada pela pesquisa Focus, que reúne projeções econômicas de mais de cem instituições

Galípolo - banco central - bc
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil | Foto: Reprodução/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A discussão em torno da autonomia financeira e orçamentária do Banco Central ganhou destaque nesta quinta-feira, 9, com reforço do presidente da instituição, Gabriel Galípolo, à necessidade de avanços nesse tema durante a cerimônia de premiação do Top 5 da pesquisa Focus de 2025, em São Paulo.

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Galípolo argumentou que a autonomia ampliaria a capacidade do BC para fiscalizar e monitorar o sistema financeiro, além de fortalecer a atuação institucional. “A palavra autonomia, às vezes, precisa de um ‘rebranding’, mas é importante completarmos o processo de autonomia do BC”, afirmou.

Discurso evita política monetária e destaca coragem institucional

No evento, Galípolo evitou abordar questões relativas à política monetária, como a taxa básica de juros, atualmente em 14,75% ao ano, ou inflação. Também não comentou diretamente o caso que envolve o Banco Master, mas enfatizou a necessidade de coragem institucional. “Quando tiver alguma coisa errada, é ter a coragem de apontar dentro do próprio BC, e não só pedir desculpas, mas cortar na própria carne”, desclarou “Essa autonomia está dentro do BC. A luz do sol e a verdade são a única defesa que quem escolheu o caminho da honestidade tem.”

A proposta de autonomia financeira do BC tramita há três anos no Congresso Nacional por meio da PEC n° 65/2023. Se aprovada, transformará o BC em empresa pública com autonomia financeira e orçamentária, mantendo a supervisão parlamentar. Com isso, a autarquia poderá definir planos de carreira e salários, além de contratações e reajustes. Essa medida amplia a autonomia operacional formalizada em 2021, quando o então presidente Jair Bolsonaro (PL) sancionou a lei que desvinculou os mandatos do presidente do BC e do titular do Executivo federal.

Condições de trabalho e combate a irregularidades

Na mesma ocasião, Galípolo comentou as condições de trabalho dos servidores. “Estamos há praticamente uma década sofrendo com condições de trabalho que não são as mais adequadas para os servidores do BC, mas temos muito orgulho do Focus e esperamos que consigamos avançar em ter um arcabouço institucional mais adequado”, disse.

Apesar de não citar nomes, Galípolo tratou da importância da autonomia do BC para coibir irregularidades, em meio às investigações da Operação Compliance Zero, que resultaram no afastamento do ex-diretor de fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e do ex-servidor Belline Santana. Ambos são suspeitos de envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, sendo citados em conversas sobre estratégias do Banco Master diante do BC.

Diversidade e relevância da pesquisa Focus

O presidente do BC também enalteceu a diversidade de opiniões no mercado financeiro representada pela pesquisa Focus, que reúne projeções econômicas de mais de cem instituições. “Ainda que haja uma mediana nas opiniões de mercado, é importante mostrar que existem divergências, debates. Isso é importante para mostrarmos a pluralidade do debate”, afirmou Galípolo.

Leia também: “Os tentáculos do Master”, artigo de Carlo Cauti na Edição 305 da Revista Oeste

Ele ainda destacou que críticas à pesquisa Focus, por possíveis avaliações subjetivas ou comportamentos de manada, também são relevantes. Para Galípolo, o boletim Focus “traz uma fotografia de como os agentes econômicos estão percebendo o futuro, como eles imaginam que o futuro será”, enfatizou Galípolo. “São essas decisões tomadas a partir da percepção de hoje é que vão moldar o futuro.”

Na edição mais recente da pesquisa Focus, divulgada na segunda-feira 6, analistas do mercado financeiro elevaram a projeção de inflação para 2026 para 4,36%, mantendo a expectativa para o PIB em 1,85%.

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