Conversas extraídas de investigações da Polícia Civil de São Paulo revelam que integrantes de uma fintech associada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) tentaram contato com políticos de destaque em 2021. Entre os alvos estavam Márcio França (PSB), ex-ministro e ex-governador, e João Doria, então governador paulista.
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Essas informações fazem parte do inquérito da Operação Contaminatio, deflagrada na segunda-feira 27, pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise). Os documentos mostram que a fintech 4TBank, ligada ao PCC, buscava contratos com prefeituras paulistas para gerir o recebimento de tributos municipais.
Articulações políticas e estratégias da organização
Segundo apuração do portal Metrópoles, Thiago Rocha (PSD), ex-vereador de Santo André preso na operação, articulava aproximações políticas em nome da organização criminosa. Conversas extraídas de seu celular apontam tentativas de reuniões com Doria e França, além de contatos com o PSB Estadual e figuras do governo paulista.
Em um relatório enviado por Rocha a João Gabriel de Melo Yamawaki, apontado como operador financeiro do PCC, constam menções a reuniões no Palácio dos Bandeirantes e estratégias para buscar agendas com autoridades, como a então secretária de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen. Rocha também citou articulação com o PSB estadual e assessores políticos de Campinas.
Por meio de sua assessoria, Patrícia Ellen destacou que “nos três anos em que ocupou cargo na gestão estadual, a ex-secretária Patricia Ellen jamais se reuniu com as referidas pessoas.”
Outros registros detalham contatos com políticos locais, como um assessor do deputado estadual Márcio da Farmácia (Podemos), a ex-secretária de Agricultura Juliana Cardoso, o deputado estadual Daniel José (Novo) e integrantes da Prefeitura de Santo André. Os nomes aparecem em slides do relatório, sob a categoria de contatos realizados fora do plano inicial.
Repercussão e conclusões da investigação
A Polícia Civil afirma que o plano de ação documentado por Rocha e João Gabriel era “preocupante, senão assustador”, pois indicava movimentações para obter apoio do PCC em candidaturas nas eleições municipais anteriores. O relatório ainda destaca que Rocha priorizava articulações políticas ilícitas em detrimento de suas funções legislativas.
Os investigadores concluíram que João Gabriel não só faz parte do PCC, como também utilizava a fintech para movimentar recursos provenientes do tráfico de drogas e outras atividades ilícitas. Márcio França declarou não conhecer os envolvidos, enquanto João Doria afirmou que a reunião mencionada nunca ocorreu, conforme publicado pela coluna responsável pela apuração.
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