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Economia

Ex-presidente do Banco Central responsabiliza governo Lula por alta da inflação

Roberto Campos Neto critica o desequilíbrio fiscal e aponta impactos diretos no bolso da população

Campos Neto
As críticas ao governo contrastam com declarações recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central do Brasil (BC), afirmou nesta terça-feira, 8, que o principal fator da inflação no país é o descontrole das contas públicas.

Segundo o economista, não se trata de uma ação deliberada de empresários, mas de um reflexo direto do gasto excessivo do governo Lula. Ele argumenta que o consumidor paga o preço da má gestão fiscal. Nesse sentido, culpar comerciantes por preços elevados é distorcer a realidade.

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“A inflação não é culpa do malvado do empresário que subiu o preço ou do dono do supermercado, a inflação, no fim das contas, é culpa do governo”, disse o economista em entrevista à rádio Jovem Pan. “É um processo em que você gasta mais do que arrecada. Isso está mais transparente.”

Campos Neto ressalta que a elevação da taxa de juros é uma resposta necessária. Ele explica que o BC reage à inflação com medidas técnicas, e não por vontade própria. Quando há risco fiscal e a taxa de juros sobe, o setor produtivo sente esse impacto diretamente.

O economista está em período de quarentena de seis meses, previsto depois de sua saída do comando da autoridade monetária, em dezembro de 2024. Ele alega que a pressão inflacionária tem efeitos imediatos sobre a imagem do governo.

“Quando o empresário tem uma taxa de juros alta, deveria pensar que está alta porque o governo gastou mais do que arrecadou, teve mais risco e, quando tem mais risco, a taxa de juros sobe”, afirma Campos Neto.

As críticas ao governo contrastam com declarações recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em fevereiro, o petista sugeriu que os consumidores deixem de comprar produtos caros para forçar a queda de preços. De acordo com Lula, o vendedor se veria obrigado a reduzir os valores para não perder mercadoria.

Banco Central estipula meta inflacionária

Campos Neto rebateu essa lógica com dados e alertas sobre a trajetória dos juros. Na última reunião do Copom, a Selic subiu para 14,25% ao ano, e a expectativa é de nova alta em maio. A ata da reunião destacou que o desaquecimento da economia é condição necessária para reduzir a inflação.

A meta inflacionária estipulada pelo Banco Central é de 3%, com margem entre 1,5% e 4,5%. Entretanto, o índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo de fevereiro ficou em 5,06%, e as projeções apontam para avanço até 5,6% nos meses seguintes. O próprio BC já admitiu que o índice deve permanecer acima do teto da meta.

+ Leia também: “Não há culpados para a ‘inflação dos alimentos'”

O economista também ressalta a nova configuração do mercado de trabalho. Ele pondera que o governo precisa compreender que a geração atual busca autonomia, flexibilidade e digitalização.

Além disso, a rigidez nas regras trabalhistas desestimula a inovação. Campos Neto elenca que muitos atuam por meio de plataformas digitais e preferem formatos como home office ou atendimento remoto. O ex-presidente do BC defende a adaptação das normas às novas formas de produção. Ele acredita que o Estado deve facilitar, não engessar.

“Ninguém quer sindicato, ou que alguém fale que você vai trabalhar cinco ou seis horas por dia, ou se você vai trabalhar sete dias por semana”, esclarece o economista. “Tem um jeito novo de trabalhar. Eu não quero que você diga como vou trabalhar, eu quero que você melhore um instrumento de trabalho que eu tenho.”

1 comentário
  1. Reginaldo Corteletti
    Reginaldo Corteletti

    Competência deste jovem transcendeu fronteiras. Infelismente esta não não valoriza seus filhos talentosos. Muitos que poderiam mudar nossa realidade migraram para nações que valorizam seus talentos. Enquanto isso, no governo de 40 incompetentes se promove a gastança e a roubalheira, como no caso do ministro Juscelino. Mas os membros da facão nunca são alcançados, só seus bajuladores.

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