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Economia

Entenda as mudanças do Marco das Ferrovias

Projeto vai modernizar o setor

marco das ferrovias
O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, visitam as obras de construção da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), em São Desidério (BA) | Foto: Alan Santos/PR

Baixa densidade ferroviária, se comparada à de outros países, vagões enferrujando, obras inacabadas e um setor carente de investimentos devido à burocracia estatal. Esse é o quadro das ferrovias brasileiras. Para ter ideia, não passa sequer um trem por dia em cerca de 30% da malha de 30 mil quilômetros, conforme estudo da Confederação Nacional da Indústria.

Já em outros países, a coisa é diferente. Os Estados Unidos, por exemplo, têm a maior extensão de trilhos do mundo, com 295 mil quilômetros, e utiliza 45% de sua malha ferroviária. A China ocupa o segundo lugar: 124 mil quilômetros e faz uso de 37%. A Rússia possui 87,1 mil quilômetros de trilhos e opera em 81% deles. O Canadá, com 77,9 mil quilômetros, usa 46%.

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No Brasil, as rodovias são utilizadas para o escoamento de 65% da produção do país, enquanto os trilhos se ocupam de pouco mais de 20%. Trata-se de um mercado a ser explorado. Hoje, apenas um terço das ferrovias consegue atender às necessidades de embarque dos principais produtos de exportações brasileiras, como minérios, soja e milho, essenciais para o nosso agronegócio.

O cenário em nosso país pode mudar. Isso porque está na mesa do presidente Jair Bolsonaro o novo Marco Legal das Ferrovias, aprovado pelo Congresso Nacional nesta semana. Segundo o Ministério da Infraestrutura, o governo já recebeu 47 pedidos de requerimentos para a construção de novas linhas privadas, em projetos que podem atrair R$ 50 bilhões em novos aportes.

O que muda com o Marco das Ferrovias

Em linhas gerais, o texto permite que novas ferrovias possam ser projetadas, desenvolvidas e operadas sem licitação. Hoje, empresas privadas podem operar trechos de ferrovias existentes ou mesmo construir novas linhas, mas para isso precisam concorrer a processos abertos pelo governo.

Novo regime

  • O novo Marco das Ferrovias mantém o atual regime de concessões, porém cria uma nova forma de operação, que é a de autorização. Nesse formato, uma empresa privada pode sugerir ao governo, por conta própria, um projeto de nova ferrovia, com os planos de investimento e operação. O governo então autoriza ou não o negócio;
  • interessados em investir poderão procurar o governo com um projeto de exploração;
  • uma vez o governo chancelando o projeto, são definidas as condições da operação, como capacidade de transporte, programação de investimentos, regras operacionais e prazo do contrato, que varia de 25 a 99 anos, prorrogáveis;
  • a iniciativa privada poderá perder seu direito de exploração da atividade ferroviária por negligência, imperícia ou abandono, por transferência irregular da autorização e por descumprimento reiterado dos compromissos assumidos.

Transporte de passageiros e mercado imobiliário

  • Imóveis da União poderão ser cedidos sem licitação a esses autorizados, viabilizando a construção de ferrovias em áreas federais;
  • o Marco das Ferrovias prevê a autorização para que os operadores das linhas possam explorar comercialmente áreas ao longo das ferrovias, com restaurantes, comércio em geral e hospedagem;
  • como no Japão, o Marco das Ferrovias prevê que a exploração do transporte ferroviário possibilite a criação de centros comerciais nas adjacências dos trilhos, como bairros verticalizados, shoppings e até escritórios;
  • essas autorizações, contudo, vão passar por regras posteriores na legislação, porque dependem de leis estabelecidas por municípios e Estados, que regulamentam o transporte de passageiros nos níveis municipal e estadual.
Autorregulação do setor
  • A autorregulação do setor poderá ser adotada voluntariamente pelas operadoras, em entidades associativas, para regular entre si o trânsito de pessoas e de mercadorias, cabendo ao Estado resolver eventuais conflitos;
  • a autorregulação aplica-se apenas a questões técnicas e operacionais, não sendo cabível para tratar de questões econômicas relativas à atuação comercial.

Leia também: “O fim do gargalo da infraestrutura”, reportagem publicada na Edição 27 da Revista Oeste

6 comentários
  1. Samuel Oliveira
    Samuel Oliveira

    Finalmente temos um Governo e um Conselho de Ministro que faz entregas reais e não discursos vazios e hipocritas.

  2. Leandro Ricardo Galiazzi
    Leandro Ricardo Galiazzi

    Será que realmente , depois de décadas , teremos trens de passageiros ? Será que o país finalmente acordou para andar nos trilhos ? Ou teremos apenas trens cargueiros, que atendem somente interesses de poucos ? Será que iremos embarcar nesse trem ou apenas vê-lo passar…? Sempre lembrando : AQUI É O BRASIL…

    1. Samuel Oliveira
      Samuel Oliveira

      O Brasil está se transformando na Terra das oportunidades para quem deseja trabalhar de forma ética e sem conchavos políticos.

  3. Jose Maria Miranda da silva
    Jose Maria Miranda da silva

    Aí está uma das grandes diferenças entre o governo atual e os anteriores. O progresso está logo ali, só falta (ou só faltava) a determinação e a administração honesta dos recursos. Espero que todas essas realizações do atual governo sejam consideradas pelos eleitores em 2022..

  4. José Antônio Batalha Zocccoler
    José Antônio Batalha Zocccoler

    Só falta algum inútil da esquerda mandar alguma coisa para o STF é tentarem jogar contra o Brasil

  5. Antonio Rodrigues
    Antonio Rodrigues

    Parabéns Ministro Ernesto e PR!
    Essa questão sempre foi prioritária, mas a esquerdalha não permitia…

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