A reação da empresa soluções financeiras Nexco ao colapso da Naskar ganhou contornos judiciais diante da interrupção repentina das operações da fintech nesta semana, que deixou investidores sem acesso aos recursos aplicados e sem informações sobre os contratos firmados com a empresa.
O Grupo Nexco ajuizou uma ação cautelar para tentar resguardar direitos patrimoniais e obter esclarecimentos sobre a situação da Naskar. A estimativa é que a fintech tenha captado mais de R$ 900 milhões de aproximadamente 3 mil clientes em todo o país.
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Segundo a Nexco, a decisão foi tomada diante de um atraso considerado inédito nos pagamentos previstos para o primeiro dia útil do mês, além da indisponibilidade do aplicativo utilizado pelos clientes para acompanhar os aportes e movimentar as contas. A empresa afirma que também não conseguiu obter respostas dos sócios da Naskar.

“O problema deixou de ser apenas um atraso e passou a ser uma crise de confiança e de informação”, afirmou Kauê Machado, do escritório Machado Gobbo, responsável pela representação jurídica do grupo e de parte dos clientes afetados. “A ausência de respostas concretas, somada à indisponibilidade da operação, tornou inevitável a busca pela tutela judicial para resguardar direitos e buscar esclarecimentos.”
A Nexco sustenta que os instrumentos firmados com a Naskar eram contratos de mútuo — modalidade prevista no Código Civil para operações de empréstimo entre particulares —, e não produtos financeiros regulados pelo mercado de capitais. De acordo com a empresa, os contratos estabeleciam prazos, remuneração e condições de devolução previamente pactuadas.
A companhia afirma que comercializou a solução, porque acreditava na regularidade da operação apresentada pela Naskar e ressalta que também figura entre os prejudicados. Segundo o grupo, diretores e colaboradores aderiram aos contratos e sofreram perdas com a paralisação das atividades.

A estimativa apresentada pela Nexco revela que cerca de 1,25 mil clientes, funcionários e pessoas ligadas à base comercial da empresa foram afetados, com prejuízo estimado em R$ 288 milhões. Ao considerar toda a estrutura da Naskar, a avaliação é que existam aproximadamente R$ 850 milhões em contratos de mútuo, com impacto potencial sobre mais de 2,7 mil pessoas.
“Tão logo a gravidade da situação foi verificada, a Nexco acionou seu corpo jurídico para dar suporte a parceiros e clientes”, disse Machado. Segundo ele, foi criado um procedimento para permitir que os prejudicados ingressem de forma conjunta nas ações judiciais.
A empresa afirma ainda que, antes da crise, não havia identificado indícios públicos de irregularidade na atuação da Naskar. Conforme a companhia, não existiam alertas prévios de órgãos como Ministério Público nem Procon que apontassem impedimentos à continuidade da operação.
A ação movida pela Nexco busca, simultaneamente, preservar patrimônio e documentos ligados aos contratos e pressionar por esclarecimentos institucionais sobre o destino dos recursos.

“O Grupo Nexco lamenta profundamente o ocorrido”, informou a banca responsável pela defesa da companhia. “A companhia acreditou na operação apresentada pela Naskar, assim como seus clientes, colaboradores e diretores. Diante do atraso inédito, da frustração das expectativas de pagamento e da falta de transparência dos sócios da empresa, a via judicial foi a medida necessária.”
Fintech Naskar prometia retornos acima da média do mercado
A Naskar Gestão de Ativos Ltda., que atuava no Distrito Federal e em São Paulo, prometia rentabilidade mensal de 2% aos investidores — taxa acima da média praticada no mercado. A empresa tinha como sócios Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e o ex-jogador de vôlei Maurício Jahu.
A crise começou depois de os pagamentos previstos para a última segunda-feira, 4, não serem realizados. Desde então, clientes relatam dificuldades para obter informações. Os sócios deixaram de responder mensagens e ligações, as redes sociais da companhia deixaram de ser atualizadas e o aplicativo utilizado pelos investidores permanece fora do ar.






































E o pior é que conheço muito bem um dos sócios que, inclusive, faz parte do meu círculo familiar.