Filas se formaram nesta quinta-feira, 28, em um posto de combustíveis da capital paulista. O motivo não foi pânic, nem desabastecimento. Foi a chance rara de abastecer pagando apenas o preço real da gasolina, sem a parcela que vai direto para o governo.

A ação, batizada de Dia Livre de Impostos, foi organizada pelo Instituto de Formação de Líderes de São Paulo (IFL-SP). Para este ano, a iniciativa teve como parceiras a Students for Liberty Brasil (SFL Brasil) e a Rede Monteiro. A medida reduziu o litro da gasolina de R$ 6,31 para R$ 4,14, uma diferença de R$ 2,17 por litro, equivalente à fatia tributária embutida no valor repassado aos motoristas.
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A iniciativa integra uma campanha nacional de conscientização que o IFL-SP realiza anualmente com o objetivo de tornar visível ao cidadão comum aquilo que os especialistas em finanças públicas há tempos apontam: quase metade do preço da gasolina paga no Brasil não remunera nem o petróleo, nem o refino, nem a distribuição, vai para os cofres públicos na forma de ICMS, PIS/Cofins e Cide.
A Oeste, Thiago Antoniolli, presidente do IFL-SP, foi direto ao ponto sobre o propósito da ação. “A gente trabalha cinco meses do nosso ano para pagar impostos para o governo brasileiro”, comentou o executivo. “Estamos fazendo essa campanha de conscientização, onde o cidadão brasileiro pode vir comprar gasolina sem impostos. É uma ação para que o povo saiba quanto está pagando de imposto.”
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A afirmação de Antoniolli não é retórica. O Brasil registra, ano depois de ano, uma das maiores cargas tributárias do mundo entre os países em desenvolvimento.
Segundo estimativas do setor, o trabalhador brasileiro encerra o chamado “Dia da Liberdade Fiscal”, data em que cessa de trabalhar para pagar tributos e passa a trabalhar para si, apenas em junho, depois de mais de cinco meses de salário entregue integralmente ao Estado.
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No caso específico dos combustíveis, a situação se agravou no início de 2026. Em janeiro, o Conselho Nacional de Política Fazendária elevou o ICMS sobre a gasolina de R$ 1,47 para R$ 1,57 por litro, o segundo aumento consecutivo do tributo.

Somados PIS/Cofins e Cide, os impostos diretos respondem por aproximadamente 45% do preço na bomba. Exatamente o que o IFL-SP tornou concreto e visível na ação desta quinta.
O “Túnel Livre de Imposto” e a pedagogia tributária
No local da ação, os organizadores montaram um “Túnel Livre de Imposto” e distribuíram panfletos explicando a composição do preço da gasolina e identificando os tributos que incidem sobre o combustível.
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A estratégia fez de algo abstrato, a carga tributária, algo palpável: quem passou pelo posto saiu com o tanque cheio e com a noção exata de quanto deixa de pagar quando o Estado não toma sua parte.
Thaiz Batista, CEO do SFL Brasil, resumiu o espírito da iniciativa. “A campanha é para conscientizar a população sobre o peso do Estado no dia a dia”, enfatizou ela. “São impostos que não voltam para o cidadão: são consumidos em burocracia e corrupção. E quando quem produz e tenta crescer paga o custo. Hoje perguntamos: esse dinheiro fica melhor no bolso do burocrata ou do cidadão?”
IFL-SP e SFL já organizaram outras edições
O IFL-SP integra a rede nacional dos Institutos de Formação de Líderes, entidades sem fins lucrativos focadas em formar lideranças com base nos valores de liberdade individual, livre mercado, respeito à propriedade privada e Estado de direito.
Em edições anteriores do Dia Livre de Impostos, o instituto já promoveu ações semelhantes. Em 2025, a gasolina foi vendida a R$ 3,82 na Avenida Bandeirantes, com desconto de 36% sobre o preço praticado no posto.
O Students for Liberty Brasil é uma das maiores organizações de formação de lideranças pró-liberdade da América Latina, com atuação em universidades e redes sociais. A parceria com a Rede Monteiro, que atua no setor de combustíveis em São Paulo, viabilizou a operação logística da ação.
O Dia Livre de Impostos é realizado anualmente em diferentes cidades do país por grupos e entidades que defendem a redução da carga tributária e maior transparência sobre os impostos pagos pela população e, neste 28 de maio, encontrou em São Paulo uma bomba de gasolina para contar, em reais e centavos, o que o Estado cobra de cada brasileiro toda vez que ele abastece o carro.
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