O governo do Reino Unido, liderado pelo Partido Trabalhista, de esquerda, decidiu provar ao mundo que, em economia, as boas intenções não substituem a matemática.

Sob a batuta da ministra da Economia, Rachel Reeves, o Executivo britânico decidiu apelar para o populismo, aumentando o salário mínimo por decreto e elevando impostos com uso de retórica da inveja social.
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Resultado: o desemprego explodiu, chegando em 5%, o nível mais elevado dos últimos quatro anos. E, segundo institutos de pesquisa, como o Instituto Nacional de Pesquisa Econômica e Social (NIESR, na sigla em inglês), o desemprego vai continuar subindo nos próximos meses, terminando o ano em 5,4%, o que seria o maior índice desde 2015.
Entre os jovens a situação é ainda pior. No último trimestre, cerca de 735 mil jovens entre 16 e 24 anos estavam desempregados, com a taxa que chegou a 16%. Um patamar que não se via há cerca de uma década.
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Um aumento particularmente preocupante, pois os jovens normalmente ocupam postos de entrada no mercado de trabalho, especialmente em setores como varejo, hospitalidade e serviços, que são os primeiros a sentir os efeitos de choques econômicos ou aumentos de custos de contratação.
Políticas de salário mínimo: boas intenções, efeitos controversos
Desde que o Partido Trabalhista assumiu o governo, liderado pelo primeiro-ministro Keir Starmer, uma das prioridades tem sido aumentar o National Living Wage (NLW), o salário mínimo do Reino Unido, calculado por hora de trabalho.
Em 2025, o governo implementou um aumento substancial. O NLW para trabalhadores com 21 anos ou mais subiu para cerca de £ 12,71por hora (cerca de R$ 160). Enquanto a faixa de 18 – 20 anos foi elevada para cerca de £ 10,85por hora (cerca de R$ 80).
O objetivo declarado pelo governo foi “nivelar” gradualmente as taxas e reduzir o tratamento diferenciado por idade. Além disso, o Executivo trabalhista visou a ampliar os ganhos de milhões de trabalhadores de baixa renda e a combater a pobreza.
Além do salário mínimo mais alto, o governo aumentou as contribuições que empregadores pagam à Segurança Social (National Insurance Contributions), elevando a alíquota e reduzindo o limiar a partir do qual o imposto é cobrado.
Essa mudança foi projetada para reforçar as finanças públicas e financiar serviços sociais e outros gastos, mas criou um efeito colateral indesejado para muitos empresários: os custos de contratação aumentaram significativamente.
Grupos representativos de empresas, como a Confederação da Indústria Britânica (CBI), emitiram alertas públicos de que o aumento de impostos poderia reduzir as contratações e até levar a demissões, especialmente em setores que dependem de mão de obra intensiva e de jovens trabalhadores.
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Vários economistas britânicos disseram que, quando o custo de contratar um trabalhador jovem, com menos experiência e produtividade inicial mais baixa, aumenta consideravelmente, as empresas preferem manter trabalhadores mais experientes, investir em automação ou simplesmente adiar contratações até que a economia esteja mais robusta.
Mais impostos sobre a classe média
Outra medida do governo britânico foi a introdução de uma série de novos impostos.
Entre eles, a elevação das alíquotas sobre dividendos e investimentos, criação de uma taxa sobre propriedades imobiliárias — propagandeada como “taxa das mansões”, mas que golpeia proprietários de apartamentos de classe média –, aumento dos tributos sobre aluguéis e congelamento de benefícios e isenções, entre outros.
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Além disso, o governo decidiu não reajustar os valores a partir dos quais cada faixa de imposto é cobrada. Com isso, à medida que os salários sobem por causa de reajustes inflacionários, mais contribuintes acabam pagando taxas maiores — sem aumento formal nas alíquotas.
Somadas, essas medidas elevam a carga tributária total do Reino Unido para cerca de 38,3% do Produto Interno Bruto (PIB). O maior nível desde meados do século passado.
Menor crescimento econômico
Além do aumento do desemprego, outro efeito negativo dessa política econômica é a redução do crescimento no Reino Unido.
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Segundo uma pesquisa do Banco da Inglaterra, o aumento dos impostos contribuiu para redução nas projeções de crescimento do PIB, que deverá subir de apenas 0,9 % em 2026, abaixo das expectativas anteriores, justamente em meio às pressões fiscais e ao menor consumo privado.
Consequências políticas: desgaste da popularidade do governo
A popularidade do governo trabalhista está em queda livre. Uma recente pesquisa revelou que a maioria dos eleitores britânicos deseja a substituição do primeiro-ministro Keir Starmer.
Levantamento da BMG Research revelou que 51% dos entrevistados querem que o Partido Trabalhista substitua seu atual líder, enquanto apenas um de cada cinco acha que ele deve permanecer no cargo.
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A popularidade do primeiro-ministro deteriorou-se a níveis sem precedentes. Mas talvez o mais preocupante para o governo seja o fato de Starmer ter perdido o apoio até mesmo daqueles que votaram para os trabalhistas nas eleições de 2024.
As críticas de empresários e setores econômicos fornecem munição para partidos de oposição, que veem nisso um exemplo de interferência estatal excessiva no mercado.
Mesmo parte do eleitorado que poderia se beneficiar diretamente dos aumentos salariais começa a sentir os efeitos combinados de emprego mais difícil de conseguir e custos mais altos.
Uma crescente parcela da população britânica agora apoia reduções em impostos e gastos públicos, algo que não era dominante havia décadas — reflexo da frustração com a política fiscal atual.
Esse movimento é sintomático de um eleitorado que sente o impacto direto no bolso e começa a associar a política fiscal à piora na perspectiva econômica.





































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