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Economia

Defesas de ex-diretores da Americanas preparam contestação contra delação premiada

Advogados alegam possibilidade de 'conflito de interesses', uma vez que o acordo foi aprovado pelo conselho de administração da empresa

Fachada da unidade das Lojas Americanas, na rua Figueiredo de Magalhães, em Copacabana, na zona sul da cidade do Rio de Janeiro
Fachada da Americanas em Copacabana, no Rio de Janeiro | Foto: Pedro Kirilos/Estadão Conteúdo

Os advogados dos ex-diretores da Americanas estão preparando uma contestação judicial contra a delação premiada que os incriminou em uma suposta fraude contábil de R$ 25,2 bilhões na empresa.

O caso, que emergiu em janeiro de 2023, é um dos maiores escândalos corporativos do Brasil. As investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) baseiam-se fortemente nas informações fornecidas pelos colaboradores Marcelo Nunes e Flávia Carneiro, que também faziam parte da diretoria.

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O contra-ataque das defesas teve início depois da divulgação dos termos do acordo de delação. Nunes e Carneiro receberão dez anos de salário pagos em 120 parcelas, além do custeio das mensalidades escolares dos filhos, incluindo o ensino superior, e um plano de saúde para toda a família.

A Americanas também se comprometeu a pagar os honorários advocatícios dos delatores. Estima-se que, ao longo dos dez anos, Nunes possa receber mais de R$ 1 milhão, valor que não inclui outros benefícios.

Advogados de ex-executivos da Americanas alegam “desconhecer” benefícios

Os advogados de defesa alegam que desconheciam esses benefícios até que um dos ex-diretores conseguiu, judicialmente, que os detalhes do acordo fossem revelados no processo.

Agora, estão analisando argumentos para invalidar a delação, como um possível conflito de interesse, pois o conselho de administração da Americanas, que aprovou o acordo, também deveria ser investigado.

Outro ponto de contestação é o formato do acordo, que, segundo as defesas, se assemelha a um contrato de trabalho. Isso poderia comprometer a independência e a espontaneidade dos delatores, dado que eles teriam dez anos para receber o pagamento.

A extensão do prazo de pagamento levanta dúvidas sobre a imparcialidade das informações fornecidas por Nunes e Carneiro. O advogado da Americanas, Celso Vilardi, informou que, em fevereiro, todos os diretores foram convocados para assinar um termo de afastamento e devolver equipamentos da empresa.

Nessa ocasião, Nunes e Carneiro manifestaram interesse em colaborar, mas argumentaram que precisavam do acordo de delação para garantir a sobrevivência e a educação de seus filhos.

A questão foi discutida pelo conselho de administração da Americanas, que aprovou o incentivo à delação por unanimidade em fevereiro de 2023. Participaram da reunião Eduardo Saggioro, Carlos Alberto Sicupira, Paulo Lemann, Cláudio Moniz Garcia, Sidney Breyer e Mauro Not, este último na condição de secretário. Sicupira, Lemann e Breyer deixaram o conselho da Americanas no início de setembro.

Colaboração é legal, diz advogado da empresa

CVM avalia processos contra diretores da Americanas
A Americanas – fundada em 1929 – se envolveu em um escândalo em 11 de janeiro de 2023 | Foto: Divulgação/Americanas

Vilardi destacou que esse tipo de apoio à colaboração é legal e já ocorreu em outros casos, como no episódio envolvendo a CCR, empresa de concessões de rodovias e aeroportos.

O conselho de administração da Americanas avaliou que a colaboração dos delatores traria vantagens significativas, como a rápida elucidação dos fatos e a possibilidade de reestruturar as demonstrações financeiras da empresa, que está em processo de recuperação judicial.

O acordo foi aprovado com a condição de que Nunes e Carneiro fornecessem informações e documentos que elucidassem os fatos, sem proteger qualquer pessoa envolvida. Além disso, os delatores deveriam relatar o caso ao Ministério Público Federal (MPF) e, se permitido, à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A Americanas e seus representantes, assim como os advogados dos ex-diretores suspeitos de fraude, não se pronunciaram sobre o assunto. O advogado dos delatores, Davi Tangerino, também preferiu não comentar o caso, alegando que ele está sob sigilo judicial.

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1 comentário
  1. Armando Garcia Martins
    Armando Garcia Martins

    Vocês já imaginaram se essa fraude Bilionária tivesse sido na Havan e não nas AMERICANAS do Lemman, o cara que afirmou que o Brasil teria outro Presidente, que bancou evento com o Lewandowski e tem uma bancada no Congresso?
    Aparentemente todas as nossas Instituições foram “aparelhadas”, pois ninguém está preso e nem os bens dos três principais acionistas bloqueados.

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