A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) concluiu a apuração sobre o rombo de R$ 25 bilhões na Americanas. O relatório técnico atribui a execução do esquema a ex-diretores da companhia. A informação é do jornal O Globo.
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O documento indica Miguel Gutierrez, ex-CEO, como líder da articulação. Ele deixou o país em 2023 e permanece na Espanha. Técnicos afirmam que o grupo atuou sem ciência do conselho de administração e dos comitês internos. Ao todo, 31 pessoas aparecem como participantes diretas. O conjunto inclui diretores estatutários, gestores e funcionários de várias áreas.
Caminho até o julgamento da Americanas
A fase de investigação terminou no fim do ano passado. O material reúne documentos e depoimentos. A Superintendência de Processos Sancionadores recomendou a abertura do processo punitivo e o envio do conteúdo ao Ministério Público Federal.
Os citados já receberam notificação para apresentar defesa. Na sequência, poderão propor termos de compromisso. Só então o colegiado da CVM analisará o mérito. A expectativa é de decisão em cerca de um ano.
A própria Americanas figura como acusada. A peça sustenta que isentar a empresa criaria precedente no mercado. O texto afirma que as vítimas foram acionistas, debenturistas e outros detentores de valores mobiliários. Os responsáveis legais eram diretores estatutários.
Entre os nomes do núcleo central, além de Gutierrez, aparecem Anna Saicali, José Timóteo de Barros, Márcio Cruz Meirelles e Fábio Abrate. Há registros de participação de diretores não estatutários, gerentes e outros empregados.
Sobre o ex-CEO, o relatório afirma: “Deve ser responsabilizado por ter comandado, por ao menos uma década, um esquema de manipulação no mercado de valores mobiliários, com ofertas baseadas em informações falsas, valendo-se de sua posição como diretor-presidente e membro de conselhos que aprovaram demonstrações financeiras adulteradas.”
Além das acusações já apresentadas por autoridades policiais, o grupo pode enfrentar multas, inabilitação e suspensão para atuação no mercado de capitais. O caso foi o maior escândalo financeiro do país até o avanço das apurações sobre o Banco Master, que soma perdas estimadas em R$ 56 bilhões.
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