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Economia

Crise do café nos EUA influenciou nas negociações com o Brasil

País é o principal fornecedor do produto e responde por cerca de 30% das importações norte-americanas

Café Estados Unidos tarifas
Café teve alta de 3% em setembro nos EUA | Foto: Lidiane Lahass/Unplash

As negociações entre representantes do governo brasileiro e norte-americano sobre tarifas de exportação, iniciadas neste domingo, 26, foram bastante impulsionadas depois de os preços do café atingirem o maior nível já registrado nos Estados Unidos (EUA).

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A disparada, influenciada pelas sobretaxas impostas à importação e por condições climáticas desfavoráveis nas regiões produtoras, fez o café subir 41% em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2024, segundo dados oficiais do Departamento de Trabalho (DOL, em inglês) dos EUA.

O relatório revela que, somente no último mês, o preço médio de uma libra (0,45 quilo) de café moído chegou a US$ 9,14 e supera em 3% o valor de agosto, de US$ 8,87. Desde o início do ano, a curva de aumento tem sido constante.

“Os preços ao consumidor de alimentos comprados para consumo doméstico e fora do lar aumentaram 3% em setembro em comparação com o mesmo mês do ano anterior”, informou o DOL. Segundo o órgão, o café encareceu 19% desde setembro do ano passado e manteve-se estável em relação ao mês anterior.

A alta global do café já se reflete diretamente no bolso dos consumidores norte-americanos, conta o El Diario NY. Proprietários de cafeterias em várias cidades dos EUA estão reajustando preços e buscando alternativas para manter margens mínimas de lucro.

Em Chicago, Nikki Bravo, coproprietária da rede Momentum Coffee, afirmou à Associated Press ter reajustado em torno de 15% os preços de bebidas como capuccinos e cafés com leite em suas quatro lojas.

“Em algum momento tivemos que transmitir o aumento de custos, não podíamos seguir comendo isso”, disse Bravo à agência.

Ela relatou que hoje paga cerca de 15% mais caro pelos grãos importados em comparação com o ano passado e, para conter despesas, passou a torrar parte deles em suas próprias unidades. A maior parte da matéria-prima vem de países africanos.

Bravo também destacou o peso de outros insumos: copos, tampas e embalagens ficaram mais caros, enquanto o salário mínimo em Chicago subiu para US$ 16,60 por hora em julho. “A inflação persistentemente alta também tem gerado incerteza entre os consumidores e os deixado menos dispostos a gastar em um café para levar”, afirmou.

De acordo com a Toast, empresa que monitora o setor de restaurantes, o preço médio de um café servido em setembro foi de US$ 3,54, contra US$ 3,45 no mesmo mês de 2024.

Consumo de café nos EUA

Os EUA são uma das nações que mais consomem café no mundo, mas produzem apenas 1% do que bebem, percentual restrito a pequenas plantações no Havaí e em Porto Rico. Todo o restante é importado, segundo a Associação Nacional do Café, o que torna o país vulnerável tanto a políticas comerciais quanto às oscilações climáticas.

Leia mais: “Marco Rubio e Mauro Vieira devem se reunir às 21 horas deste domingo”

O Brasil, principal fornecedor, responde por cerca de 30% das importações norte-americanas. Na sequência vêm Colômbia, com 20%, e Vietnã, com 8%. Esse grau de dependência faz com que qualquer ruptura nas relações comerciais ou na oferta global provoque reflexos imediatos nos preços domésticos.

A questão tarifária relativa a esta commodity teve influência na decisão de realizar a reunião entre Brasília e Washington, cuja relação ficou estremecida depois das medidas adotadas por Donald Trump, que fixou um imposto de 50% sobre o café brasileiro.

Diante do custo elevado, produtores brasileiros passaram a reter embarques enquanto negociam com torrefadores norte-americanos uma forma de dividir o peso adicional, relatou a AP. O banco UBS informou que a estratégia reduziu a oferta interna no mercado norte-americano.

A Colômbia, segundo maior fornecedor, também enfrenta uma tarifa de 10%, e Trump já ameaçou elevar essa taxa e suspender a ajuda dos EUA ao país em razão de divergências com o presidente Gustavo Petro.

O Vietnã, terceiro principal exportador, lida com uma alíquota de 20% desde o verão. Em setembro, o presidente norte-americano anunciou que produtos classificados como “recursos naturais não disponíveis” poderiam ser isentos de tarifas, desde que os países firmassem acordos comerciais específicos com os EUA, mas o café, até agora, não entrou na lista.

Além dos conflitos comerciais, o café sofre com secas prolongadas, calor excessivo e chuvas irregulares, que têm reduzido drasticamente a produtividade das plantações em regiões tropicais. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), os preços globais do grão subiram quase 40% em 2024 devido a essas condições.

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3 comentários
  1. Hamilton
    Hamilton

    DISCORDO! Ainda não houve tempo para o café gerar crise nos EUA. ESPECULAÇÃO!

  2. Marcus Magalhães
    Marcus Magalhães

    Acredito que poderia superar essa crise de o produtores do Brasil usasse Trading do Panamá ou outros portos livres para exportar aquela prática de trocar de nota no meio do caminho para alcançar o destino final.

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