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Economia

Crise? Bolsa de valores tem 'boom' de estreias em 2020

Na B3, 2020 tem sido marcado por quantidade de IPOs

- b3
Entre as empresas que saíram da B3 em 2023, estão: IGB Eletrônica, Banco Besa, Têxtil Renauxview, Longdis, EDP Energias do Brasil, CEEE-G, BR Properties e Sinqia | Foto: Divulgação/B3

Do início deste ano até o fim de setembro, 18 novas empresas passaram a integrar a B3

o boom da bolsa de valores - b3
Foto: Divulgação/B3

A crise econômica provocada pela pandemia da covid-19 não afetou negativamente a B3, a Bolsa de Valores do Brasil. Pelo contrário. Mesmo diante da presença do novo coronavírus, o mercado de ações tem se tornado protagonista de boas notícias para a economia do país. Há projeções de que o Ibovespa, o principal índice do pregão, encerrará o ano na casa dos 115 mil pontos. Além disso, o setor de capitais tem atraído cada vez mais investidores (inclusive estrangeiros) e empresas.

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Do início deste ano até o fim de setembro, a B3 já contabilizava 18 IPOs, sigla em inglês que significa Oferta Pública Inicial. A quantidade representa bem mais do que as cinco estreias na bolsa brasileira ao longo de 2019 — e segue em evolução. No decorrer de outubro e da primeira semana de novembro, Oeste mapeou pelo menos outros cinco grupos que passaram a ter papéis negociados na B3, que variam de fundos de investimentos a marca de cupons de desconto.

A bolsa de valores tem atraído empresas dos mais diversos ramos de atuação. De rede de pet shop (Petz) a farmacêutica (Pague Menos), passando por construtoras e incorporadoras. E mais setores podem entrar para a B3 nos próximos meses. Órgão regulador do mercado de capitais no Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informa que mais de 40 empresas fizeram o pedido de registro inicial de companhia. Na lista, aparecem projetos voltados a áreas como alimentação, logística, energia elétrica e saneamento básico.

Análises, por Dagomir Marquezi…

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Mercado animado

O boom de estreias na bolsa de valores se explica por dois fatores: a recuperação dos preços dos ativos e a queda da taxa de juros, o que desestimula investimentos em renda fixa (como a poupança). É o que afirma o diretor de relacionamento com clientes da B3, Rogério Santana: “[A combinação desses dois fatores] traz boas perspectivas para esse mercado a curto prazo”, afirma, em contato com Oeste. Nesse sentido, ele destaca que o cenário de investimentos não se resume a IPOs. Há ofertas subsequentes (follow-ons) e emissão de dívidas, que “voltam a ganhar tração e oferecer prazos e custos mais favoráveis”.

Você sabia? Follow-on acontece quando uma empresa que já tem cotas na bolsa resolve oferecer mais ações para serem negociadas nos pregões diários.

Santana explica que o panorama atual representa a criação de demanda, com pessoas jurídicas vendo vantagens em integrar a bolsa de valores, enquanto pessoas físicas passam a investir mais no mercado de ações. “A conjuntura econômica está mudando, o que tem acelerado o processo de amadurecimento do investidor institucional — que agora tem olhado com mais atenção as ofertas menores e eventualmente está criando portfólios de ações com maior diversidade de ativos”, analisa o diretor da B3. “[As pessoas estão] diversificando seus investimentos e tomando mais risco em busca de mais potencial de retorno”, complementa.

O executivo acompanha de perto o mercado de ações do país e ainda destaca que, em 2020, grupos menores começaram a observar o setor. “As pequenas e médias companhias estão atentas a este momento e, em um cenário de retomada de crescimento e consolidação, visualizamos uma oportunidade cada vez mais atrativa de captação de recursos”, declara. Santana demonstra entusiasmo com a situação. “A expectativa é que mais companhias acessem o mercado de capitais para financiar sua operação ou mesmo captar recursos para aquisições de outras empresas ou ativos específicos.”

rogério santana - b3
Rogério Santana é o diretor de relacionamento com clientes da B3
Foto: Divulgação/LinkedIn

IPOs em valores

O crescimento da B3 não ocorre apenas em número de empresas que começam a negociar ações. No volume de operações financeiras, a bolsa também está em bom momento. Na soma das Ofertas Públicas Iniciais realizadas de janeiro a setembro, foram movimentados mais de R$ 22,1 bilhões. O valor supera os R$ 16,6 bilhões levantados entre 2018 e 2019. Neste ano, dez empresas conseguiram movimentar mais de R$ 1 bilhão ao realizar o IPO. Com destaque para a Petz, que, sozinha, captou R$ 3 bilhões ao estrear na bolsa.

Oeste mostra abaixo valores do IPO de cada uma das 18 empresas que até setembro entraram para o grupo de companhias que negociam ações na bolsa de valores brasileira. Confira.

IPOs da B3 em 2020  (Anderson Scardoelli)

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