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Economia

Por que as cotações do ouro e da prata dispararam?

Lingote de ouro | Foto: REUTERS/Edgar Su/File Photo
Lingote de ouro | Foto: REUTERS/Edgar Su/File Photo

A cotações do ouro e da prata dispararam nesta segunda-feira, 22, alcançando novos recordes.

Lingote de ouro |  Foto: REUTERS/Hiba Kola/File Photo
Lingote de ouro | Foto: REUTERS/Hiba Kola/File Photo

O ouro chegou a um preço recorde de US$ 4.445,8 por onça. Nunca antes na história o metal precioso tinha chegado a um valor como esse, acumulando uma alta de 70% desde o início do ano, quando era cotado a US$ 2.600 por onça.

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O ouro é geralmente considerado pelos investidores como um ativo de refúgio seguro em tempos de turbulência econômica ou geopolítica.

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A prata normalmente acompanha o ouro e foi negociada pela última vez a um preço recorde de US$ 68,96 por onça. Desde janeiro as cotações do mineral precioso subiram 128%.

Por que ouro e prata estão subindo tanto?

Muitos investidores estão montando posições defensivas devido as preocupações com os enormes déficits fiscais dos Estados Unidos, União Europeia e, cada vez mais, no Japão e na China.

Além disso, as tensões geopolítica na Ucrânia, na Venezuela e no Oriente Médio alimentam a alta dos minerais preciosos.

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Por isso, segundo o banco de investimento americano Goldman Sachs o ouro poderá beirar os US$ 5 mil em dezembro de 2026. Um patamar que poderia ser alcançado muito antes, considerando a alta expressiva do mineral.

Os investidores também estão de olho na corrida pela nomeação do próximo presidente do Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, com a independência e a credibilidade do banco colocados em xeque após repetidas pressões do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o atual presidente, Jerome Powell, para reduzir as taxas de juros.

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Todavia, essas explicações não são suficientes para entender a corrida do ouro para valores cada vez maiores.

Isso pois não seria possível explicar por que as Bolsas de Valores dos Estados Unidos estão operando em suas cotações máximas históricas, assim como os mercados financeiros da Europa.

Nem mesmo as turbulências políticas americanas explicam essa alta, pois os rendimentos dos títulos do governo americano permaneceram praticamente inalterados nos últimos meses.

Além disso, as últimas pesquisas realizadas pelo Bank of America com gestores globais mostram como o otimismo atingiu seu nível mais alto desde fevereiro de 2025. E isso mostra como o mercado têm profundas contradições.

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No caso da prata parte da explicação vem da forte demanda adicional do setor industrial, principalmente para a fabricação de painéis solares, onde a prata é utilizada.

Bancos centrais comprando sem parar

O que poderia explicar essa são as compras de ouro por parte dos bancos centrais de vários países. Especialmente daqueles não alinhados com os Estados Unidos, e que querem substituir as reservas internacionais em dólares para evitar de sofrer sanções em caso de atritos com os EUA. Isso especialmente após o congelamentos de ativos da Rússia após a invasão da Ucrânia.

Por exemplo, o banco central chinês está aumentando as compras de ouro há pelo menos 11 meses.

Segundo o Goldman Sachs os bancos centrais continuarão comprando ouro em média, de 70 a 80 toneladas adicionais entre 2025 e 2026.

Mas essa tendência por si só não explica toda a alta: o Goldman Sachs estima que ela contribui com 19 pontos percentuais dos 23% de aumento adicional esperado.

Uma explicação suplementar é que o ouro, em seus níveis tão altos, seja compatível com os mercados de ações que também não param de subir. No fim das contas, o sentimento dos investidores é o mesmo: comprar tudo o que sobe.

Por último, existem compradores de ouro adicionais que estão contribuindo para impulsionar o mercado.

(Bloomberg) — A Tether Holdings SA está contratando dois dos traders mais experientes de metais preciosos do HSBC Holdings Plc, enquanto o gigante dos stablecoins usa seu grande capital para construir uma vasta reserva de ouro e desafiar os players tradicionais do mercado de metais preciosos.

Vincent Domien, chefe global de negociação de metais do HSBC, deve se juntar à empresa de criptomoedas nos próximos meses, junto com Mathew O’Neill, responsável pela originação de metais preciosos para Europa, Oriente Médio e África, disseram pessoas familiarizadas com o assunto. Ambos estão cumprindo seus períodos de aviso prévio no banco, acrescentaram as fontes, que preferiram não ser identificadas porque a informação não é pública.

Entre eles, a gigante das cripto Tether Holdings SA, focada em stablecoins, que está utilizando seu grande capital para construir uma vasta reserva de ouro e desafiar os players tradicionais do mercado de metais preciosos.

Nos últimos anos a Tether contratou alguns entre os mais habilidosos traders de minerais preciosos e começou a acumular um dos maiores estoques de ouro do mundo fora de bancos centrais, como parte de seus mais de US$ 180 bilhões em ativos de reserva.

Um movimento que contribuiu para impulsionar a cotação do ouro e aumentar ainda mais o interesse dos investidores.

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