publicidade
Economia

Correios obtêm empréstimo de R$ 12 bilhões para cobrir déficit elevado

Operação foi formalizada no Diário Oficial e envolve bancos privados e públicos, com a União assumindo papel de garantidora

Correios empréstimo
Condições financeiras do empréstimo preveem juros próximos à Selic | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo federal avalizou um empréstimo de R$ 12 bilhões pelos Correios, segundo publicação no Diário Oficial da União. O objetivo é buscar reequilíbrio financeiro para a deficitária estatal.

+ Leia mais notícias de Economia em Oeste

Receba nossas atualizações

A operação foi estruturada com participação de cinco grandes bancos: Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander. Terá prazo de amortização de 15 anos, com vencimento final em 2040.

As condições financeiras preveem juros próximos à taxa Selic, dentro dos limites estabelecidos para operações com aval do Tesouro Nacional. Com essa garantia, o governo federal se compromete a honrar os pagamentos caso a estatal não consiga cumprir suas obrigações, o que reduz o risco para as instituições credoras.

Os valores poderão ser direcionados tanto ao reforço do capital de giro quanto a investimentos considerados estratégicos. O extrato publicado no DOU também autoriza o uso de parte dos recursos para despesas associadas à própria estruturação do crédito, entre as quais comissões e custos ligados à execução do plano de reestruturação.

A autorização do financiamento ocorreu depois de o Tesouro Nacional rejeitar, no início de dezembro, uma tentativa anterior de captação no valor de R$ 20 bilhões. A proposta previa juros acima do teto aceito pelo comitê responsável pela análise, o que levou à negativa. No novo formato, o governo avaliou que a operação atende aos critérios de capacidade de pagamento exigidos para estatais que possuem plano de reequilíbrio aprovado.

Correios têm contas deterioradas

A medida ocorre em meio a uma deterioração prolongada das contas dos Correios. A empresa acumula resultados negativos desde 2022, somando déficits superiores a R$ 10 bilhões.

Apenas entre janeiro e setembro de 2025, o prejuízo ultrapassou R$ 6 bilhões. No primeiro semestre do ano, a estatal registrou perdas de R$ 4,36 bilhões, o maior resultado negativo de sua história.

Entre os fatores que geraram a crise estão o crescimento expressivo das despesas com pessoal, mudanças no programa Remessa Conforme, que reduziram receitas com encomendas internacionais, queda acentuada do fluxo de caixa, aumento de gastos com precatórios e o fato de que cerca de 85% das agências operam no vermelho.

Além do empréstimo, o plano prevê um Programa de Demissão Voluntária com potencial desligamento de aproximadamente 15 mil funcionários entre 2026 e 2027, fechamento de unidades deficitárias, venda de imóveis considerados ociosos, com expectativa de arrecadação em torno de R$ 1,5 bilhão, renegociação de contratos, ajustes na jornada de trabalho, mudanças nos planos de saúde, retorno ao trabalho presencial e a criação de um marketplace próprio.

O agravamento da situação financeira reacendeu discussões sobre a privatização da estatal. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no entanto, afastou publicamente essa possibilidade e atribuiu a crise a problemas de gestão.

“Enquanto eu for presidente não vai ter privatização”, disse em coletiva no dia 18 de dezembro. “Pode ter construção junto com empresas. Enquanto eu estiver na presidência não vai ter privatização dessas empresas, pode ter parceria, economia mista, mas privatização não vai ter.”

O presidente também destacou a relevância dos Correios para o país e indicou mudanças internas como parte da resposta à crise.

“Uma empresa pública não pode ser a rainha do prejuízo”, ressaltou. “Trocamos o presidente dos Correios [Fabiano Silva dos Santos], chamamos a ministra Esther [Dweck, da Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos] e Rui [Costa, da Casa Civil], colocamos alguém com muita expertise e responsabilidade e vamos tomar medidas que tivermos que tomar, mudar todos os cargos que tivermos que mudar e colocar pessoa com competência.”

Leia mais sobre:

3 comentários
  1. David S
    David S

    Ah, o governo federal avalizou, estamos lascados, mais uma dívida a ser paga por nós!…..

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade