Conselheiros do Banco de Brasília (BRB) cobraram explicações do diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Ailton de Aquino, por pedidos feitos à instituição para comprar carteiras de crédito do Banco Master. A jornalista Malu Gaspar divulgou as informações nesta quinta-feira, 29, em sua coluna no O Globo.
O episódio ocorreu em 20 de novembro, durante reunião na sede do BC, um dia depois da operação da Polícia Federal que levou à liquidação do Master e à prisão de Daniel Vorcaro.
Receba nossas atualizações
+ Leia mais notícias de Economia em Oeste
Quatro pessoas presentes confirmaram à coluna que Aquino, autor das mensagens direcionadas ao presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, se defendeu ao dizer que o Master sofria com problemas relacionados à liquidez.
Entre 2024 e 2025, o Master repassou ao BRB carteiras de crédito consignado avaliadas em R$ 12 bilhões.
A reunião no BC contou com a presença dos diretores Ailton de Aquino e Renato Gomes, além do chefe do Departamento de Supervisão Bancária, Belline Santana. Do lado do BRB, participaram o presidente do conselho, Marcelo Talarico, o conselheiro Luís Fernando Lara Resende e o diretor jurídico Jacques Veloso.
O BC convocou o encontro para tratar de uma possível capitalização do BRB e da escolha de um substituto para Costa. Ele foi removido do cargo depois da Operação Compliance Zero.
Na ocasião, Talarico pediu a palavra e atribuiu a compra das carteiras à orientação do órgão regulador, mencionando pedidos explícitos do BC. Um deles, segundo revelou a coluna na semana anterior, veio por WhatsApp. Aquino teria enviado mensagens a Costa para pedir que o BRB adquirisse R$ 270 milhões em papéis do Master.
Dados oficiais mostram que justificativa de Aquino não se sustenta
Gomes se mostrou surpreso. Disse que o BC jamais havia feito qualquer solicitação formal ao BRB para comprar as carteiras. Diante da afirmação, os olhares se voltaram para Aquino.
Sem responder diretamente sobre as mensagens, ele voltou a dizer que o Master enfrentava crise de liquidez. Nesse sentido, argumentou que cabia ao BC zelar pela estabilidade do sistema.
Dados do próprio BC desmentem a tese. O Master representava apenas 0,57% do ativo total e 0,55% das captações do sistema financeiro nacional. Mesmo com irregularidades sérias, a quebra do Master não oferecia risco sistêmico.
Eis a íntegra da nota do BC:
“O BC e o diretor de fiscalização Ailton de Aquino reiteram, integralmente, a nota à imprensa divulgada em 23 de janeiro, tendo por objeto as mesmas ilações infundadas. Não procede, portanto, a informação de que o diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino, teria recomendado ao BRB a compra de ativos ou carteiras fraudadas de crédito do Banco Master.
Registra-se que dois ex-integrantes do Conselho de Administração do BRB divulgaram, em 23 de janeiro de 2026, comunicado no qual confirmam não ter havido, ‘em nenhuma reunião do Conselho, qualquer comunicação ou mensagem atribuída a representante de órgão regulador solicitando ou orientando a compra de carteiras do Banco Master’.”
+ Leia também: “Perda do BRB pode chegar a R$ 5 bi; BC sabia das inconsistências, diz diretor”





































Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.