Conversas entre o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e a Polícia Federal (PF) têm se intensificado nas últimas semanas, com Costa manifestando interesse em prestar novo depoimento relacionado às investigações do caso Master.
O caso envolve suspeitas de fraudes na compra de carteiras de crédito consignado sem lastro, avaliadas em R$ 12,2 bilhões, pelo BRB.
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Fontes próximas às investigações relataram ao jornal Folha de S.Paulo que, embora não haja colaboração formal, o diálogo entre Costa e as autoridades tem avançado.
Investigadores avaliam que Costa pode contribuir mais, inclusive por meio de eventual delação premiada, mecanismo que permite benefícios ao investigado em troca de informações relevantes.
Investigação da PF
A PF apura se Costa teve envolvimento na suposta falsificação de documentos depois da aquisição das carteiras, para justificar a ausência de irregularidades.
Há também suspeitas sobre a participação de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e de sócios na compra de ações do BRB por meio de fundos administrados pela gestora Reag.
À Folha, Costa afirmou que continua colaborando com as instituições.
“Minha colaboração é no estrito sentido de confiar nas instituições, no devido processo legal e fornecer todas as informações ao meu alcance para que tudo seja esclarecido o mais breve possível”, declarou.
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Costa nega práticas ilícitas no período em que esteve à frente do BRB.
“Tenho convicção de que sempre atuei no estrito papel que me cabia como presidente do BRB e na defesa dos interesses do BRB, com base em decisões colegiadas, boas práticas e cumprindo o planejamento estratégico do banco”, afirmou.
Costa prepara documentação para apresentar em novo depoimento à PF, incluindo registros de comunicação ao Banco Central (BC) sobre fundos que se tornaram acionistas do BRB.
BRB enviou auditoria externa à PF
Os advogados de Costa argumentam junto à PF que sua atuação foi exclusivamente técnica e que ele pode ajudar não só no esclarecimento das operações do BRB, mas também em outras investigações que venham a ocorrer.
O inquérito atual ganhou força depois que a nova administração do BRB encaminhou à PF o resultado de auditoria externa.
A investigação foca em saber se antigos gestores do banco tinham conhecimento do real controle dos fundos e facilitaram o ingresso de acionistas ligados à operação Compliance Zero.
Costa deixou o cargo no dia da liquidação do Master pelo Banco Central, quando também ocorreu a prisão de Daniel Vorcaro, em 17 de novembro de 2025.
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No fim de dezembro passado, Costa, Vorcaro e o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, prestaram depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) por determinação do ministro Dias Toffoli.
Posteriormente, a PF realizou uma acareação entre Costa e Vorcaro. Em seguida, a Justiça levantou o sigilo dos depoimentos em 30 de janeiro.
Divergências e esclarecimentos nos depoimentos
Durante a acareação, houve divergência sobre a origem dos créditos fraudulentos de mais de R$ 12 bilhões. Vorcaro alegou que o BRB sabia que as carteiras eram de terceiros.
“A gente chegou a conversar por algumas vezes que a gente começaria um novo formato de comercialização (de carteiras de crédito), que seria de terceiros, carteiras originadas por terceiros e não mais originação própria”, afirmou o ex-dono do Master.
Já Costa sustentou que, segundo seu entendimento, os créditos tinham origem no próprio Master.
“Meu entendimento é que eram carteiras originadas pelo Master que haviam sido vendidas ou negociadas a terceiros e que o Master estava recomprando e revendendo para a gente”, explicou.
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Costa relatou que a identificação da ligação direta com a Tirreno Consultoria Promotoria de Crédito só ocorreu entre abril e maio do ano passado, depois de análises técnicas detectarem padrões documentais diferentes nos contratos.
O ex-presidente do BRB esclareceu que a identificação do originador final do crédito não costuma constar nos documentos analisados para avaliação de risco.
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