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Economia

BRB tem dificuldade para vender 'ativos podres' do Master

Sob pressão do Banco Central, instituição busca R$ 21 bilhões para evitar intervenção

Sede do BRB, em Brasília: perda de foco | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Sede do BRB, em Brasília | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O Banco de Brasília (BRB) realiza uma ofensiva na Faria Lima para tentar vender os ativos que o Banco Master entregou como compensação por uma fraude de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito. O banco busca arrecadar R$ 21 bilhões para recompor seu capital e patrimônio, sob o risco de sofrer uma intervenção do Banco Central. No entanto, segundo informações do jornal O Globo, operadores do mercado financeiro demonstram ceticismo e consideram o valor inalcançável, classificando os ativos como superestimados e de difícil recuperação.

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Apesar de o BRB já ter arrecadado R$ 5 bilhões com a venda de carteiras de crédito originais para recompor a liquidez, o restante do pacote desperta desconfiança. Operadores ouvidos pelo jornal afirmam que, em alguns casos, o “risco Master” não compensa o investimento nem com descontos agressivos. Enquanto a direção da instituição sustenta que as negociações avançam, analistas mais pessimistas estimam que o lote total não valha mais do que R$ 3 bilhões, o que pode forçar o governo do Distrito Federal a capitalizar o banco com recursos próprios.

O que o BRB oferece ao mercado

O negócio proposto pelo Banco de Brasília mistura ativos variados. A lista inclui o programa Credcesta, pelo qual o banco pede R$ 9 bilhões, e R$ 2 bilhões em títulos de direitos creditórios da Tirreno — empresa apontada como autora da fraude original. Além disso, o pacote contém participações em empresas ligadas a Nelson Tanure, como a Ambipar. O BRB avalia a fatia de 15% na companhia em R$ 1,5 bilhão, enquanto gestores de mercado acreditam que o valor real seja de, no máximo, R$ 50 milhões, logo que a empresa está em recuperação judicial desde 2025.

O inventário de ativos também relaciona fatias na fabricante de insulina Biomm, no SP Surf Club e em empresas menores.

Conforme a apuração de O Globo, dois operadores descartaram a oferta sem realizar uma análise detida, por considerarem os ativos de baixíssima qualidade e de recuperação improvável, mesmo se adquiridos a preços muito baixos.

Plano de recuperação e prazo do Banco Central

O diretor de Fiscalização do Banco Central, Aílton de Aquino, estimou em depoimento à Polícia Federal que o BRB terá de cobrir um prejuízo de R$ 5 bilhões para compensar as perdas do esquema fraudulento. A situação financeira da instituição vem se deteriorando desde a liquidação do Master e a troca de seus executivos. Diante do cenário, o banco apresentou ao BC um plano de recuperação com prazo máximo de 180 dias para evitar a liquidação.

Embora o BRB tente acelerar o resgate financeiro, as dificuldades em convencer investidores privados aumentam a probabilidade de um aporte estatal. O valor final do socorro dependerá do sucesso nas vendas dos ativos na Faria Lima. Até o momento, a discrepância entre o preço pedido pelo banco e a avaliação dos gestores de mercado sugere que o governo do Distrito Federal precisará utilizar suas reservas para garantir a viabilidade da instituição.

Leia também: “PF deve ampliar equipe para acelerar perícia no caso Master”

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1 comentário
  1. FLAVIO AUGUSTO ROSSI
    FLAVIO AUGUSTO ROSSI

    PRA COMEÇAR , NÃO SEI COMO ESTÁ LIBERADO PRA VENDER ESSES ATIVOS ….

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