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Economia

BRB fez esforço para adiar liquidação do Master, informa PF

De acordo com investigação, a instituição aceitou parcelar a devolução de valores ligados a créditos fraudulentos

Torre do BRB, em Brasília | Foto: BRB/Divulgação/Tauan Alencar banco master
Torre do BRB, em Brasília | Foto: Tauan Alencar/BRB

A investigação da Polícia Federal (PF) sobre o Banco Master mostrou que o Banco de Brasília (BRB) atuou para dar sobrevida à instituição de Daniel Vorcaro e adiar sua liquidação.

Delegados afirmam que a cúpula do banco brasiliense garantiu liquidez ao Master e aceitou parcelar a devolução de valores ligados a créditos fraudulentos até a conclusão da compra — operação que acabou barrada pelo Banco Central (BC).

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Segundo a PF, o BRB ignorou irregularidades, demorou a responder à fiscalização do BC e adiou o pagamento do dinheiro que deveria receber de volta. Mesmo com possibilidade de recuperar R$ 6,7 bilhões de forma imediata, o banco optou por sete parcelas, de junho a dezembro de 2025, o que seria contrário ao contrato.

Para os investigadores, o objetivo era manter o Master em funcionamento até a conclusão da venda. A PF e o Ministério Público Federal afirmam que o banco de Vorcaro teria vendido R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado forjadas ao BRB, sendo R$ 6,7 bilhões em contratos falsos e R$ 5,5 bilhões em prêmios.

Operação entre BRB e Master acendeu alerta no Banco Central

dívida pública Brasil Economia Sede do Banco Central | Foto: Divulgação
Sede do Banco Central, em Brasília | Foto: Divulgação/BC

O negócio chamou atenção do Banco Central por causa do volume, do histórico de operações e de informações divergentes. O Master citou associações baianas como originadoras; o BRB, por sua vez, apresentou contratos com a Tirreno.

O BRB afirmou, em nota, que é credor na liquidação do Master, reforçou controles internos e pediu à Justiça para atuar como assistente de acusação. O Master não comentou. Vorcaro e o banco negam fraude e dizem que o suposto prejuízo é “fato inexistente”.

A Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de novembro, levou à liquidação do Master, à prisão de Vorcaro e ao afastamento do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Na sexta-feira 28, a Justiça mandou soltar todos os investigados.

A soltura dos investigados

A desembargadora Solange Salgado da Silva, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, determinou a soltura do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

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Fora do sistema prisional, Vorcaro terá de cumprir medidas cautelares. Será obrigado, por exemplo, a usar tornozeleira eletrônica. Além disso, o banqueiro está proibido de deixar o Brasil, inclusive será obrigado a entregar o passaporte às autoridades competentes e não poderá manter contato com outros investigados no caso.

A decisão da Justiça Federal não beneficia apenas o presidente do Banco Master. Solange também determinou a soltura de outros quatro executivos da instituição financeira:

  • Alberto Felix de Oliveira Neto, superintendente-executivo de tesouraria;
  • Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio;
  • Augusto Ferreira Lima, sócio e ex-CEO; e
  • Luiz Antônio Bull, diretor de riscos, compliance, recursos humanos, operações e tecnologia.

Leia também: “O castelo de areia chamado Banco Master”, reportagem de Carlo Cauti e Gustavo Segré na Edição 297 da Revista Oeste

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