Nos últimos meses, o Banco Regional de Brasília (BRB) passou por momentos em que quase faltaram recursos para cumprir obrigações financeiras, principalmente depois do escândalo que envolve carteiras de crédito adquiridas do Banco Master. O episódio mais recente ocorreu na sexta-feira 10, conforme informou o jornal O Globo.
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Para garantir caixa, o BRB recorreu mais uma vez à venda de carteiras de crédito consideradas de boa qualidade, mas, segundo fontes, as opções para obter liquidez de forma imediata estão se esgotando. A quantidade de carteiras disponíveis para negociação diminuiu, e parte dos créditos está vinculada a ativos imobiliários ou fundos estaduais, o que impede sua venda.
Preocupação com liquidez e risco de intervenção
O banco também enfrenta dificuldades para captar novos depósitos ou empréstimos afirmou O Globo, o que, conforme avaliação da administração, reduz o tempo disponível para encontrar uma solução. Em nota, o BRB declarou que “trabalha na finalização do processo de capitalização e tem até 29 de maio para fazer a integralização dos recursos”, além de afirmar que “segue sólido, com liquidez e operando normalmente”.
A escassez de liquidez pode levar à intervenção do Banco Central (BC), por meio do Regime de Administração Especial Temporária (Raet), mecanismo em que o BC assume o comando e suspende pagamentos para renegociação, semelhante ao processo de recuperação judicial. Até o momento, o Banco Central não se pronunciou sobre o caso.
Desde o início da crise, o BRB vendeu cerca de R$ 10 bilhões em carteiras de crédito para bancos concorrentes, sempre com descontos. No entanto, ainda restam aproximadamente R$ 60 bilhões em empréstimos, sendo que uma parte significativa não pode ser negociada de imediato. A venda dessas carteiras compromete a receita futura do banco, agravando a situação financeira, já que não há novos empréstimos sendo feitos.
De acordo com executivos que acompanham a situação, o BRB ainda teria condições de negociar rapidamente cerca de R$ 10 bilhões em créditos. Depois desse montante, as alternativas se esgotam, e a necessidade de uma solução se torna urgente nos próximos dias.
Transparência e busca por alternativas
O BRB não publica demonstrações financeiras há nove meses e, desde 31 de março, está sujeito a uma multa diária de R$ 30 mil pela ausência do balanço de 2025. Segundo apuração, os demonstrativos não são divulgados para evitar expor o déficit, o que poderia precipitar uma intervenção.
Em reunião com o Banco Central no fim de março, o BRB se comprometeu a regularizar a situação até o fim de maio. No início de abril, o banco solicitou um empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito, mas ainda não enviou a documentação necessária para análise do pedido, que deve detalhar o tamanho do déficit e a real situação de liquidez.
Negociações e impasse político
Paralelamente, o BRB tenta negociar a venda de ativos recebidos do Banco Master em compensação pelos R$ 12,2 bilhões em carteiras fraudulentas. Avaliados inicialmente em R$ 21 bilhões, esses ativos receberam apenas uma proposta firme de R$ 4 bilhões, valor que poderia amenizar a crise, mas enfrenta resistência na diretoria.
A governadora Celina Leão (PP), que assumiu depois da saída de Ibaneis Rocha (MDB), tem buscado apoio do governo federal. No entanto, o presidente Lula já orientou que Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil não adquiram ativos nem concedam empréstimos ao BRB.
Leia também: “Os tentáculos do Master”, artigo de Carlo Cauti na Edição 305 da Revista Oeste
Essa porcaria está quebrada a muito tem de fechar e colocar todos vagabundos na cadeia