O Banco de Brasília (BRB) avalia pedir um empréstimo de R$ 3,3 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A medida faz parte de um conjunto de alternativas discutidas para reforçar o capital da instituição e permitir a divulgação do balanço de 2025 até 31 de março.
Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o CEO do BRB, Nelson de Souza, afirmou que a principal estratégia envolve a criação de um fundo imobiliário com nove imóveis cedidos pelo governo do Distrito Federal (GDF). A operação busca captar cerca de R$ 6,6 bilhões.
Receba nossas atualizações
+ Leia mais notícias de Economia em Oeste
Caso o banco não alcance o valor, ele considera estruturar um fundo de investimento em participações com ações do GDF na Companhia Energética de Brasília e na Companhia Ambiental de Saneamento. A gestão do fundo, segundo o executivo, deve ficar com o BTG Pactual.
“Essa parte, que é a mais difícil, nós fizemos antes”, disse ao Valor Econômico. “A estruturação em si, como é para investidor qualificado, é rápida. Tem alguns prazos da CVM, mas é um rito que pode ser acelerado.”
Outra alternativa é criar um fundo de direitos creditórios com ativos recebidos do Banco Master na troca de carteiras com a instituição ligada a Daniel Vorcaro. Souza reconhece que o pacote inclui ativos problemáticos, mas afirma que há operações valiosas, como um terreno ao lado do Jockey Club, em São Paulo.
BRB busca recursos com venda de participação e resgate de títulos
O BRB também avalia vender 49% de sua financeira, operação que poderia gerar quase R$ 1 bilhão. Outra possibilidade, explicou o executivo, envolve o resgate, com deságio, de R$ 3,8 bilhões em letras financeiras subordinadas que circulam no mercado. Isso poderia gerar “um capital de mais ou menos R$ 1,9 bilhão, com o deságio”.
No entanto, se nenhuma dessas soluções avançar, o banco pode recorrer a um empréstimo com o FGC. Além disso, pode buscar uma linha de crédito estruturada com um sindicato de bancos. Ao Valor Econômico, Souza argumentou que já há conversas com grandes instituições financeiras para formar esse grupo.
Apesar das discussões sobre capitalização, o executivo afirma que a liquidez do banco melhorou nos últimos meses. O BRB cedeu cerca de R$ 5 bilhões em carteiras e negocia outras operações, incluindo cerca de R$ 730 milhões em ativos garantidos pelo Tesouro Nacional.
Auditoria investiga gestão anterior do BRB
Paralelamente, uma auditoria conduzida pelas empresas Machado & Meyer e Kroll investiga possíveis irregularidades na gestão anterior.
O relatório preliminar analisou a circulação de fundos que compraram ações do BRB e que posteriormente foram associados a Vorcaro, Maurício Quadrado e João Carlos Mansur, da Reag. O relatório final deve tratar de questões de governança e falhas administrativas.
+ Leia também: “Vorcaro transferiu R$ 700 milhões do Master para paraísos fiscais durante negociações com o BRB”
O banco convocou assembleia-geral extraordinária para 18 de março para discutir um aumento de capital de até R$ 8,9 bilhões. Além do GDF, participam das discussões o Instituto de Previdência dos Servidores do DF e a Associação Nacional dos Empregados Ativos e Aposentados do Banco de Brasília.





































Já sabem quem pagará este empréstimo, não é? Isso mesmo: você, eu e todos os que possuem contas bancárias.