O Banco de Brasília (BRB) enfrenta uma exigência de provisão bilionária do Banco Central e negocia uma linha de crédito com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para recompor o capital. Segundo apuração do jornal Folha de S. Paulo, a medida ocorre em meio ao impacto da compra de créditos fraudulentos ligados ao banco Master.
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O atual presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, afirmou que a instituição seguirá operando e não passará por liquidação nem intervenção. Ele assumiu o comando em 27 de novembro, logo depois da saída de Paulo Henrique Costa, afastado e demitido depois de ser alvo de uma operação da Polícia Federal (PF).
De acordo com investigações da PF e do Banco Central, a gestão anterior realizou a compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras sem lastro do Master. As autoridades também identificaram que o BRB passou a controlar fundos inseridos no esquema financeiro sob investigação.
Exigência do Banco Central pressiona balanço do BRB
O Banco Central determinou a constituição de uma reserva de R$ 2,6 bilhões para cobrir o prejuízo relacionado às carteiras do Master. A expectativa da atual administração é concluir ainda no primeiro trimestre uma solução que permita ajustar o balanço de 2025 dentro do prazo exigido de empresas de capital aberto.
Entre as alternativas avaliadas estão um empréstimo junto ao FGC, aportes do Tesouro do Distrito Federal e de acionistas minoritários, a transferência de imóveis do governo local para o banco, o repasse de ações de estatais e a formação de um consórcio de instituições financeiras. A Câmara Legislativa do DF precisará aprovar a medida por meio de um projeto que o governador Ibaneis Rocha enviará ao Legislativo.
Souza confirmou que o BRB já iniciou tratativas formais com o FGC, do qual é associado, e destacou que a operação exige garantias por parte do controlador, como participações em empresas estatais. Na semana passada, o presidente esteve em São Paulo em reunião com a direção do fundo e também manteve encontros com executivos de bancos privados.
Segundo pessoas ouvidas pela Folha, instituições como Bradesco, Caixa, BTG, Itaú Unibanco, Inter, XP e C6 demonstraram apoio. Banco do Brasil, BNB e Basa não participaram dessas conversas. As autoridades liquidaram o Master depois de identificar carteiras irregulares e prenderam o controlador Daniel Vorcaro em 17 de novembro, na primeira fase da Operação Compliance Zero.
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