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Economia

Brasil perde chance de aproveitar queda dos juros nos EUA

Segundo economista Gabriel Lago, isso ocorre em grande parte devido ao desequilíbrio das contas públicas brasileiras

Sede do Banco Central do Brasil em Brasília | Foto: Rodrigo Oliveira/Caixa Econômica Federal
Sede do Banco Central do Brasil em Brasília | Foto: Rodrigo Oliveira/Caixa Econômica Federal

O Banco Central (BC) manteve a taxa de juros em 15% no Brasil no mesmo dia em que o Federal Reserve (Fed) fez um corte de 0,25 ponto porcentual, fixando-a no intervalo de 4% a 4,25% ao ano. O movimento foi simultâneo, mas sem sincronia.

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O fato de os EUA reduzirem juros poderia servir como um estímulo para a economia brasileira, mas isso não acontece porque a condução da economia pelo governo brasileiro tem impedido que a taxa no Brasil seja reduzida por parte do Comitê de Política Monetária (Copom), do BC.

“O corte do Fed ajuda nas condições financeiras globais, mas acredito que não é gatilho automático para o Brasil”, avalia Gabriel Lago, planejador financeiro e sócio-fundador da The Hill Capital.

“Nos EUA, o foco agora é ‘gestão de risco’ diante de mercado de trabalho que enfraquece e tarifas que pressionam preços. Já aqui, o Copom bateu na tecla de expectativas ainda desancoradas e necessidade de juro contracionista por período prolongado. Ou seja: o Fed abre a porta, mas o BC só entra quando a nossa dinâmica de inflação permitir.”

A decisão nos EUA ocorreu em um cenário de ameaça de repique da inflação, em função da alta das tarifas que encareceu muitos produtos importados. A taxa anual de inflação nos EUA subiu para 2,9% em agosto de 2025, de acordo com o U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS).

É a mais alta desde janeiro, depois de se manter em 2,7% tanto em junho e julho, dentro das expectativas do mercado. A maior preocupação do governo norte-americano, porém, é em relação ao nível de empregos, segundo Lago.

“O risco maior agora é no emprego”, ressalta o economista. “O Fed vê as tarifas como um choque temporário de preços, mas não quer deixar a economia escorregar para uma recessão. A inflação lá está alta de forma temporária por conta das tarifas, mas o baixo número de novas vagas de empregos acende uma alerta vermelho para uma possível recessão, que seria muito ruim paga o mercado e é algo que o governo de Donald Trump luta contra.”

Juros altos no Brasil

Em relação ao Brasil, Lago atribui grande parte desse longo período de juros altos à incapacidade do governo de equilibrar as contas.

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“Sem dúvida há responsabilidade do governo”, destaca. “Quando o Copom fala em expectativas desancoradas, está se referindo também ao fiscal. O governo gasta mais, cria incerteza, e quem paga é o investidor e o consumidor, com juros mais altos por mais tempo.”

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1 comentário
  1. Paulo Miranda
    Paulo Miranda

    Marquei “positivo” esta matéria porque, quanto pior for a situação do atual desgoverno, mais rápido cairá.

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