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Economia

Bolsa perde 14 empresas em um ano

Banco Pan e Gol anunciaram nesta semana a saída da B3; especialistas projetam novas listagens apenas depois das eleições de 2026

B3, a Bolsa de Valores do Brasil
Número de deslistagens só cresce; a B3 não tem nenhuma abertura de capital desde 2022 | Foto: Shutterstock

A companhia aérea Gol e o Banco Pan divulgaram, na última segunda-feira, 13, planos para sair da Bolsa de Valores do Brasil, a B3. Ao longo dos últimos 12 meses, a quantidade de companhias listadas caiu de 439 para 425, um total de 14 saídas no penúltimo ano do governo Lula.

Enquanto isso, bancos de investimento avaliam que novas ofertas públicas iniciais só devem ocorrer depois das eleições de 2026, conforme o jornal O Estado de S. Paulo. Há expectativas de retomada apenas em 2027, diante da indefinição quanto à política econômica do futuro governo.

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Cristian Keleti, CEO da AlphaKey, destacou durante evento do Banco Safra, em setembro, que multinacionais estão se beneficiando da desvalorização do real para recomprar fatias de subsidiárias brasileiras. O número de programas de recompra subiu de 60 em 2023 para cem em 2024, o que, na visão dele, evidencia a perda de valor das empresas e a redução da liquidez, o que dificulta a atração de novos investidores se o mercado voltar a se abrir.

Pedro Carvalho, chefe de análise de instituições financeiras não bancárias da agência de classificação de risco Fitch Ratings no Brasil, explicou que a B3 está aumentando a participação de produtos menos voláteis no seu portfólio, como fundos de índice e derivativos de criptoativos. Segundo Carvalho, a bolsa também investiu em empresas de tecnologia e de dados, segmentos impulsionados pela inteligência artificial.

Mesmo com menos empresas em negociação de ações, Carvalho ressalta que a B3 mantém vantagens competitivas, pois possui estrutura verticalizada, com serviços de clearing, registro de ativos, alienação de garantia de veículos e depósito de renda fixa. “A B3 perde no trading de ações, mas ganha em segmentos mais estáveis”, afirmou o analista.

Carvalho destacou que a classificação de risco da B3 permanece acima do soberano brasileiro, comparável à de bancos como Itaú e Bradesco, conforme a Fitch Ratings.

Painel com preços de ações no moderno centro de visitantes B3, da Bolsa de Valores de São Paulo, Brasil | Foto: Shutterstock
Painel com preços de ações no moderno centro de visitantes B3, da Bolsa de Valores de São Paulo, Brasil | Foto: Shutterstock

Nenhuma empresa listou ações na Bolsa de Valores no governo Lula

A B3 caminha para encerrar o quarto consecutivo sem nenhuma abertura de capital. Desde o ano eleitoral de 2022, nenhuma empresa brasileira listou ações no mercado financeiro do país. As saídas da Bolsa de Valores, entretanto, têm sido o padrão durante o atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: foram 11 saídas em 2022, 13 em 2023, 14 em 2024 e outras 14 já em 2025.

Muitas das empresas deslistadas já estavam em dificuldades financeiras. Diante dos custos operacionais crescentes no país, da desvalorização do real e dos juros cronicamente altos durante o quadriênio, a permanência das ações na B3 ficou definitivamente insustentável.

O cenário é inversamente proporcional aos quatro anos imediatamente anteriores. No ano eleitoral de 2018, três empresas listaram ações na B3, um começo tímido diante das quase 80 estreias que viriam a acontecer durante o governo de Jair Bolsonaro. Foram cinco aberturas de capital em 2019, 28 em 2020 e 46 em 2021.

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