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Economia

Bolsa cai mais de 1% e dólar sobe em meio a operação contra Bolsonaro

Ex-presidente foi alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal

Um homem passa ao lado de um quadro eletrônico exibindo informações sobre as flutuações recentes dos índices de mercado na Bolsa de Valores B3, em São Paulo, Brasil (10/7/2025) | Foto: Reuters/Alexandre Meneghini
Um homem passa ao lado de um quadro eletrônico exibindo informações sobre as flutuações recentes dos índices de mercado na Bolsa de Valores B3, em São Paulo, Brasil (10/7/2025) | Foto: Reuters/Alexandre Meneghini

O mercado financeiro brasileiro reagiu com forte instabilidade nesta sexta-feira, 18, diante da operação da Polícia Federal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e da escalada das tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.

O Ibovespa recuou mais de 1% ao longo do dia, e o dólar voltou a subir perante o real, próximo a R$ 5,58. No começo da tarde, o principal índice da bolsa brasileira operava em queda de 1,59%, aos 133.409 pontos. O dólar comercial, por sua vez, era negociado a R$ 5,572.

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O movimento de aversão ao risco é atribuído, em grande parte, à nova fase da crise institucional que envolve o ex-presidente. Bolsonaro foi alvo de mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, no âmbito de um inquérito que apura crimes como coação no curso do processo, obstrução da Justiça e tentativa de ataque à soberania nacional.

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Na decisão, o ministro Alexandre de Moraes determinou o uso de tornozeleira eletrônica, o recolhimento domiciliar noturno, proibição de visitas a qualquer embaixada e de comunicação com outros investigados e autoridades estrangeiras.

Moraes afirmou que houve “atos hostis derivados de negociações espúrias e criminosas” e declarou que as condutas do ex-presidente e do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) “caracterizam claros e expressos atos executórios e flagrantes confissões da prática dos atos criminosos”.

A repercussão política foi imediata. Em pronunciamento oficial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como “chantagem inaceitável” a decisão do governo norte-americano de impor tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, motivada pelas investigações contra Bolsonaro.

Bolsonaro no centro da crise diplomática e institucional

“Minha indignação é ainda maior por saber que esse ataque ao Brasil tem o apoio de alguns políticos brasileiros”, afirmou Lula em cadeia nacional de rádio e televisão. “São verdadeiros traidores da pátria.”

A tensão com os EUA intensificou-se quando Donald Trump anunciou a tarifa como resposta ao que considera um “tratamento terrível” dado a Bolsonaro pelo sistema judiciário brasileiro, em especial a Suprema Corte.

No mercado, a percepção é que o ambiente político conturbado pode dificultar negociações bilaterais e gerar impactos negativos à economia, ao vincular as tarifas econômicas a temas políticos e judiciários do Brasil.

O ex-presidente Jair Bolsonaro: segundo a PGR, participação no núcleo de uma suposta tentativa de golpe | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ex-presidente Jair Bolsonaro: segundo a PGR, participação no núcleo de uma suposta tentativa de golpe | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Entre os papéis com maiores perdas na B3 estavam Braskem (queda de quase 6,4%), Embraer (-5%) e a própria B3 (-4,88%). Também registraram recuo as ações de grandes bancos e da Petrobras, mesmo com a alta do petróleo no mercado internacional.

No câmbio, o dólar operou em alta durante toda a sessão. Às 13h25, a cotação chegava a R$ 5,572, com alta de 0,38% no dia. A instabilidade no mercado local contrastou com o desempenho positivo das bolsas norte-americanas, impulsionadas por resultados corporativos acima do esperado e dados econômicos robustos.

No Brasil, o governo federal avalia medidas de resposta às tarifas impostas por Trump. O vice-presidente Geraldo Alckmin inaugurou rodadas de diálogo com o setor produtivo e defendeu a taxação de gigantes da tecnologia norte-americanos como possível retaliação.

Leia também: “A anistia inevitável”, artigo de Augusto Nunes e Branca Nunes publicado na Edição 255 da Revista Oeste

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