O Banco Central (BC) recusou o pedido de transferência do controle do Letsbank, pertencente ao grupo Master, para o empresário Maurício Quadrado, em razão de ausência de comprovação da origem lícita dos recursos e da real capacidade financeira de Quadrado.
O órgão baseou sua análise nos critérios estabelecidos pela Resolução nº 4.970, do Conselho Monetário Nacional. Este exige, entre outros pontos, a verificação da reputação dos envolvidos e a legalidade do capital investido.
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De acordo com documento obtido pelo jornal Valor Econômico, além de avaliar a capacidade financeira, o BC examinou se os possíveis controladores possuem reputação ilibada. A ação envolve checar eventuais processos criminais, administrativos e financeiros em nome dos interessados.
A mera existência de notícias negativas ou positivas não é suficiente para reprovar ou aprovar o nome. Dessa forma, o órgão segue critérios objetivos expressos em norma.
Decisão do BC e consequências para o Letsbank

A decisão de impedir a venda ocorreu em setembro do ano passado. Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Letsbank e de outras empresas do conglomerado Master.
Atualmente, a administração do Letsbank está sob responsabilidade da EFB Regimes Especiais, a qual o próprio BC indicou para conduzir a gestão da instituição.
Maurício Quadrado tinha sido sócio do Banco Master até meados de 2024, quando vendeu sua participação ao então presidente Daniel Vorcaro. O acordo previa que Quadrado ficaria com o Letsbank, mas o BC rejeitou a transferência. O nome do banco chegou a ser alterado para Bluebank, mas retornou à denominação original depois da recusa do órgão regulador.
Leia também: “Os tentáculos do Master”, reportagem de Carlo Cauti publicada na Edição 305 da Revista Oeste
Tanto Vorcaro quanto Quadrado e outros indivíduos foram alvo de busca e apreensão na segunda fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no início deste ano. Durante a operação, Toffoli também determinou o bloqueio e o sequestro de R$ 5,7 bilhões em bens de 38 pessoas investigadas.
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