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Economia

Banco Central reduz projeção de inflação em 2025 para 4,9%, ainda acima da meta

A autoridade monetária estima que o índice deve convergir para o intervalo permitido apenas em 2026

Dados sobre inflação constam no Boletim Focus desta semana | Foto: Raphael Ribeiro/BCB
Dados sobre inflação constam no Relatório de Política Monetária, de publicação trimestral | Foto: Raphael Ribeiro/BCB

O Banco Central (BC) revisou de 5,1% para 4,9% a estimativa da inflação do Brasil para 2025. A meta é de 3%, com tolerância entre 1,5% e 4,5%. A nova projeção consta no Relatório de Política Monetária, o segundo documento divulgado pela autarquia neste ano.

Apesar da redução, o BC admite que a inflação acumulada em 12 meses ficará em 5,4% até junho e deve terminar 2025 em 4,9%, ainda fora da meta. A expectativa é que o índice só volte a ficar dentro do intervalo no primeiro trimestre de 2026, quando atingir 4,2% em março. 

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A probabilidade de a inflação ultrapassar o teto da meta em 2025 é de 68%. Para 2026 e 2027, os riscos caem para 26% e 17%, respectivamente. O BC reforça que os efeitos da política monetária são defasados e que o horizonte de atuação vai até o quarto trimestre de 2026, quando se espera inflação de 3,6%.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

As estimativas do BC levam em conta projeções do mercado financeiro para a taxa básica de juros, a Selic, e para o câmbio. Atualmente, a Selic está em 15% ao ano — o maior patamar em quase duas décadas. 

No curto prazo, os preços dos alimentos devem apresentar menor volatilidade, beneficiados pela sazonalidade. Também há expectativa de desaceleração nos preços de alimentos industrializados. 

O BC cita ainda a suspensão temporária das exportações de aves devido a um caso de gripe aviária no Rio Grande do Sul como um fator que pode reduzir os preços do frango, embora se projete recuperação com a normalização das vendas externas.

Já os preços administrados — como tarifas de energia e combustíveis — devem ser pressionados pelo aumento da bandeira tarifária, que pode subir para vermelha nível 2 em julho e agosto, devido à piora no cenário hídrico. Atualmente, a bandeira está em nível 1.

Inflação acima do teto por mais de 6 meses descumpre a meta

O Relatório de Política Monetária substitui o antigo Relatório Trimestral de Inflação, o que atende à exigência do Conselho Monetário Nacional (CMN), que, em junho de 2024, adotou uma nova sistemática de metas contínuas de inflação. A meta de 3% passa a valer por pelo menos 36 meses, com a mesma margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual.

Inflação Banco Central
Tendência é de juros altos em 2025 | Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Pelas novas regras, é considerado descumprimento da meta quando a inflação anualizada permanece por mais de seis meses acima ou abaixo do intervalo permitido. Esse cenário já se concretiza em junho, com seis meses consecutivos de inflação acima do teto. 

Assim, o BC será obrigado a publicar uma nota explicativa no relatório e uma carta aberta ao Ministério da Fazenda para detalhar as causas do descumprimento, as medidas corretivas e o prazo para retorno à meta.

Caso a inflação não volte ao intervalo no prazo previsto, será necessária uma nova carta que explique as razões, as atualizações nas medidas e os eventuais ajustes no cronograma.

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