O Banco do Brasil prevê uma piora da inadimplência no cartão de crédito durante o segundo trimestre de 2026, em meio aos impactos da crise enfrentada pelo agronegócio e ao aumento das dificuldades financeiras entre pessoas físicas.
Segundo executivos da instituição, o avanço da inadimplência no campo passou a atingir também consumidores ligados direta ou indiretamente à cadeia do agro, pressionando linhas de crédito voltadas a famílias. O banco observa deterioração principalmente nas operações de cartão de crédito e crédito pessoal.
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Banco do Brasil cita impacto dos juros
Os números mais recentes já mostram o avanço do problema. A taxa de inadimplência acima de 90 dias do Banco do Brasil atingiu 5,05% no primeiro trimestre de 2026, contra 3,63% no mesmo período do ano passado. Na carteira de pessoas físicas, o índice chegou a 6,82%. Já no agronegócio, a inadimplência saltou para 6,22%, mais que o dobro do registrado um ano antes.
O banco atribui parte da deterioração à combinação de juros elevados, aumento da alavancagem de produtores rurais, dificuldades climáticas e crescimento dos pedidos de recuperação judicial no setor agropecuário. Especialistas da instituição afirmam que o problema deixou de ser pontual e passou a contaminar diferentes áreas da carteira de crédito.
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Mesmo com o relançamento do programa Desenrola 2.0 pelo governo federal, o BB avalia que os efeitos sobre a redução da inadimplência são incertos. A nova fase do programa ampliou a renegociação de dívidas para famílias, pequenos empresários e produtores rurais, com descontos e parcelamentos facilitados.
Internamente, o Banco do Brasil já trabalha com uma postura mais conservadora na concessão de crédito, especialmente no agro. A instituição aumentou exigências de garantias, reforçou mecanismos de cobrança e passou a selecionar com maior rigor operações consideradas de maior risco.
Executivos do banco afirmam que a expectativa é de melhora gradual apenas ao longo de 2026, mas reconhecem que os próximos trimestres ainda devem ser marcados por pressão elevada sobre a inadimplência e pela necessidade de ampliar provisões contra calotes.
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